Entre travessias a pé, ponte aérea em Miami e o habitual “asilo político” da familícia, o senador dá uma aula de como amargar o medo da prisão com muito cinismo e cumplicidade.
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| Flavio Bolsona (PL) faz fuga espetacular para o EUA, após STF pedir passaporte. |
Se existe uma modalidade esportiva na qual a extrema-direita brasileira é especialista, é a corrida de obstáculos especialmente quando o obstáculo em questão é uma ordem de prisão. Na manhã desta terça-feira (27), os primeiros murmúrios já davam conta do recuo tático (leia-se: pavor) de Flávio Bolsonaro. À tarde, a cortina de fumaça caiu: o candidato derrotado deu no pé.
Em um enredo digno de pastelão internacional, a saga contou com travessia a pé da fronteira com a Argentina, escala no Equador e destino final em Miami. Tudo isso com a costumeira "mãozinha" do padrinho Donald Trump, porque solidariedade entre aliados em apuros aparentemente não tem fronteiras. Até as primeiras horas desta quarta-feira (28), o foragido não deu as caras.
Agora, preparem-se para o teatro. Os aliados que ficaram por aqui já estão ensaiando aquele discurso descarado e manjado: Flávio não fugiu, é um "perseguido político vítima da "tirania" do ministro Alexandre de Moraes. Admitir que o "Zero Um" está atolado até o pescoço em esquemas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ao lado do companheiro e advogado Willer Tomaz? Jamais!
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Aliás, a dupla dinâmica de amigões deve estar a esta hora brindando em Miami, celebrando o sucesso das "mutretas" que movimentaram cifras bilionárias em solo pátrio. A investigação da Polícia Federal que nasceu de apurações no Rio Grande do Sul envolvendo esquemas de lavagem de dinheiro através de plataformas de apostas digitais, as populares bets aponta que Flávio seria sócio oculto do esquema. Sentindo o cerco se fechar e com receio de ter os pulsos decorados por algemas, o senador preferiu antecipar as férias forçadas.
E no festival de cínicos, quem não poderia faltar? Ele mesmo: Sérgio Moro. Hoje governador eleito do Paraná, o ex-juiz da Lava Jato correu para passar pano e validar a tese de "perseguição". Irônico vir de quem, no passado, acusava Lula de preparar uma fuga. Lula não fugiu: encarou o juiz de frente e cumpriu mais de 500 dias de prisão até que as armações do próprio Moro com os procuradores fossem escancaradas. Hoje, Moro defende quem correu.
Afinal, como diz a sabedoria popular: quem não deve, não teme e o pavor de Flávio de encarar o xilindró da Papuda é audível a quilômetros de distância.
Ao olhar para trás, a sensação é de alívio misturado com espanto. O Brasil esteve a um passo de colocar no Palácio do Planalto alguém envolvido até o pescoço com esquemas escusos. O plano de governo parecia claro: indultar o pai golpista, livrar os parceiros de negócios e colocar tudo para debaixo do tapete com a ajuda de interlocutores alinhados no STF.
Flávio sabia perfeitamente o que o esperava. Correu porque tem rabo de palha e medo da brasa. Que alívio para o país; que vergonha para quem ainda tenta defender o indefensável.

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