O esquema de ‘rachadinha’ na pasta da infraestrutura de Itapetinga que deu errado

Briga de malandros: O dia em que o "Pix" da rachadinha não caiu na conta do intermediário e o caso foi parar no rádio.

O esquema de ‘rachadinha’ na pasta da infraestrutura de Itapetinga que deu errado
Vereador licenciado e atual secretário de Infraestrutura de Itapetinga Luciano Almeida (MDB).

Ah, a tradicional "rachadinha". Aquela velha prática que o cidadão de Itapetinga já conhece de longa data, quase como se fosse um patrimônio cultural da política local. Quem não se lembra dos escândalos que explodiram na Câmara de Vereadores? Naquela época, o negócio era mais artesanal, olho no olho: o parlamentar contratava o assessor e combinava a devolução de parte do salário sem intermediários. Uma relação direta de cumplicidade.

Mas os tempos mudaram, a modernidade chegou e o esquema ganhou contornos mais complexos no Poder Executivo. Só que, desta vez, a engenharia financeira deu ruim.

O caso que veio à tona na manhã da última terça-feira (09/06), em uma rádio local, envolve a Secretaria Municipal de Infraestrutura, comandada pelo vereador licenciado Luciano Almeida (MDB). Um servidor contratado temporariamente resolveu abrir o bico e denunciar que participava do esquema de rachadinha sem sequer pisar na secretaria para trabalhar. Um verdadeiro "funcionário fantasma" com direito a divisão de lucros.

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Diferente do modelo clássico da Câmara, o esquema na prefeitura arrumou um intermediário: um assessor muito próximo ao secretário Luciano Almeida. Segundo o denunciante, era esse assessor quem combinava o jogo e operava as contratações.

Mas vamos clarear os fatos, porque no teatro da política ninguém é bobo:

O assessor não tem superpoderes: Ele não pode assinar contratações sozinho. Quem carimba a indicação é o secretário Luciano Almeida.

A engrenagem administrativa: Quem de fato coloca o nome do felizardo na folha de pagamento é a Secretaria de Administração, comandada por Cristiane Coelho que, por sinal, ocupa a pasta por indicação do secretário e vereador licenciado Luciano Almeida.

Logo, o assessor é apenas o "garoto de recados" que provavelmente convenceu o chefe a contratar o rapaz já de olho no salário que seria dividido.

A grande piada dessa história reside na versão contada pelo servidor denunciante. Ele acusa o assessor de Luciano Almeida de estar ficando com a maior parte do dinheiro (ou com ele todo). Mas há um pequeno detalhe técnico que destrói essa narrativa: a prefeitura não paga salários na conta de terceiros.

O dinheiro cai direto na conta bancária do próprio servidor contratado. Ou seja, quem tem o controle do Pix é o denunciante! É ele quem decide quanto e quando vai repassar a ‘rachadinha’.

A real hipótese: Tudo indica que o "servidor rachadeiro" é quem pode estar mentindo descaradamente. O mais provável é que ele tenha recebido o salário, gostado do valor integral e "esquecido" de devolver a parte combinada ao assessor do secretário. Pressionado e cobrado diariamente para honrar o "acordo de cavalheiros", o servidor perdeu a paciência e decidiu bater a língua nos dentes na rádio, posando de vítima.

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No fim das contas, não há santos nessa narrativa. O servidor que denuncia não está isento de culpa, afinal, embolsar dinheiro público sem trabalhar é crime do mesmo jeito.

O que temos aqui é uma clássica comédia de erros, uma história de malandragem e picaretagem pura que só deu errado porque alguém tentou passar a perna no outro e o rateio virou briga de comadres. Enquanto isso, o site IDenuncias pioneiro em revelar a mecânica dessas contratações de fachada na Bahia segue saturado de expor esses absurdos sem que as autoridades mexam um único dedo para mudar o cenário.

É vida que segue...