O fantasma ganhou voz: o servidor laranja do esquema da rachadinha na Infraestrutura vai ao rádio, confessa o crime e faz tremer as estruturas da Prefeitura e Câmara.
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| Vereadores de Itapetinga estão tenebrosos com possibilidade de assessores ou ex delate os esquemas de rachadinhas na Câmara municipal. |
Os bastidores políticos de Itapetinga estão em chamas, e o cheiro de queimado vem de onde menos se esperava que o fogo se alastrasse com tanta fúria. O escândalo enovelado na Secretaria Municipal de Infraestrutura deixou de ser um boato de corredor para se tornar um terremoto político com danos consideráveis.
Tudo ruiu quando o próprio servidor fantasma, peça-chave no esquema de "rachadinha" de salário, tomou uma atitude drástica: ligou para uma emissora de rádio local e abriu a boca. Em um depoimento bombástico, ele confessou que participava da engrenagem criminosa e denunciou a prática, alegando textualmente que era obrigado a devolver boa parte de seus vencimentos a um assessor direto do secretário municipal, Luciano Almeida (MDB).
A partir daí, a repercussão ganhou proporções incontroláveis. Encurralado pelo clamor público e pelo desgaste imediato da imagem do poder Executivo, o prefeito Eduardo Hagge (MDB) viu-se obrigado a demitir sumariamente os envolvidos. Mas o gesto, embora necessário, foi tardio. A sangria política já havia começado.
O esquema de ‘rachadinha’ na pasta da infraestrutura de Itapetinga que deu errado
Em cenários normais, a Câmara de Vereadores se aproveitaria do momento para fustigar a administração municipal, posando de paladina da moralidade. Tinha tudo para fazer o Executivo sangrar. No entanto, o que se viu foi um recuo estratégico, covarde e silencioso. O motivo? O telhado de vidro do Legislativo municipal é tão frágil que poderia desmoronar com um simples sopro.
O pânico que paralisa os vereadores de Itapetinga não é a indignação com a corrupção na prefeitura, mas o medo visceral de que o rastro de pólvora deixado pelo servidor da Infraestrutura acenda a fogueira dentro da própria Câmara.
Se um servidor fantasma teve a coragem de ir ao rádio e "bater a língua nos dentes", o que impede que os atuais assessores parlamentares façam o mesmo? O temor real é que o microfone da rádio, que já provou sua força, vire o tribunal definitivo para revelar como operam os esquemas de rachadinhas de salários de assessores e cargos comissionados que até hoje se perpetuam na Câmara de Itapetinga.
Se mais alguém resolver seguir o exemplo do servidor da Infraestrutura, o efeito dominó será implacável. A suspeita que paira no ar é assustadora: presume-se que a prática criminosa envolva, hoje, 15 dos 15 vereadores do parlamento municipal. Trata-se de uma engrenagem institucionalizada que atravessa décadas.
Essa história, contudo, não é nova. O fantasma do passado insiste em assombrar o Legislativo. Vale lembrar que o site IDenuncias nasceu justamente na esteira dessas revelações. Naquela época, o abalo sísmico na Câmara foi tão violento que, na eleição subsequente, dos 15 vereadores, apenas 4 conseguiram renovar seus mandatos. O povo respondeu nas urnas.
Se o esquema foi exposto no passado, por que ele continua vivo? A resposta está na leniência institucional. Na ocasião, o Ministério Público de Itapetinga optou por arquivar todas as denúncias trazidas pelo IDenuncias mesmo diante de provas cabais dos crimes dos parlamentares sob o argumento técnico de que o site era anônimo.
O resultado dessa decisão equivocada do MP está aí, escancarado aos olhos de todos: o esquema segue a todo vapor, institucionalizado e audacioso, operando na Câmara e na Prefeitura Municipal.
Hoje, o silêncio que ecoa na Câmara de Itapetinga não é de respeito ou cumplicidade com o prefeito; é o silêncio aterrorizado de quem sabe que a denúncia no rádio virou uma arma perigosa e que a próxima denúncia pode colocar o mandato de todos eles na guilhotina da opinião pública.

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