Xeque-mate no 6x1: Lula fura o bloqueio bolsonarista e joga a batata quente no colo do Congresso

Golpe certeiro no Congresso: Lula acelera o fim da escala 6x1 e obriga deputados a escolherem entre o empresariado e o eleitor.

Xeque-mate no 6x1: Lula fura o bloqueio bolsonarista e joga a batata quente no colo do Congresso
Presidente brasileiro Lula da Silva envia ao Congresso Nacional proposta do fim da escala de trabalho 6x1.

O jogo político em Brasília costuma ser lento, cozinhado em "banho-maria" para que os temas polêmicos esfriem até que o eleitor se esqueça deles. Mas, nesta semana, o presidente Lula resolveu aumentar a temperatura do fogão e deu um golpe certeiro na estratégia da oposição bolsonarista e do centrão, que já planejavam enterrar o fim da escala 6x1.

Até então, o plano de figuras como Valdemar Costa Neto (PL) e Antônio Rueda (União Brasil) era claro: usar a força nas comissões para barrar a PEC que tramitava na Câmara, alegando o velho fantasma da inflação e do colapso econômico.

O argumento, aliás, não para em pé. Mais de 50 países de potências europeias à China, já adotam modelos de trabalho mais humanos, e a economia continua girando. É o mesmo papo furado de décadas atrás, quando diziam que o Brasil ia quebrar se a jornada caísse de  48 horas para 44 horas. Não quebrou.

A Urgência que mudou o tabuleiro
O pulo do gato de Lula foi enviar um Projeto de Lei próprio com regime de urgência constitucional. Isso muda tudo. Diferente de uma PEC, que é lenta e exige um apoio enorme, o projeto do governo força a Câmara a votar o tema em até 45 dias. Se não votarem, a pauta tranca. Ou seja: acabou a "embromação".
Com essa canetada, Lula tirou os deputados da zona de conforto. Agora, não dá mais para esconder o jogo atrás de burocracias de comissão. O projeto é claro:

Fim da escala 6x1: O objetivo é o modelo 5x2.
Jornada de 40 horas: Redução sem corte no salário.
Tempo para viver: O foco é devolver ao trabalhador o direito de ver os filhos crescerem e ter um descanso digno.

O medo da urna
A jogada de Lula é, acima de tudo, política. Ao forçar a votação agora, ele expõe cada deputado e senador que pretende buscar a reeleição em outubro. Com cerca de 74% da população favorável ao fim do 6x1, como um parlamentar vai explicar ao seu eleitor que votou contra o segundo dia de folga para agradar o patrão?

Se aprovada no Congresso, escala 5x2 deve alterar jornada de trabalho no comércio de Itapetinga
Os grupos de direita e centro, que tentavam fazer um agrado à classe empresarial "cozinhando o galo" até as eleições passarem, agora estão na mira. Eles terão que escolher: ou ficam com o financiamento das grandes empresas ou com o voto do trabalhador que está exausto de trabalhar seis dias para folgar um.

O resto é discurso
O governo mandou um recado simbólico e prático. Enquanto a oposição tenta pintar um cenário de apocalipse econômico, Lula resgata sua origem sindicalista para tocar na ferida de quase 40 milhões de brasileiros que hoje trabalham mais de 40 horas por semana.

O fim da escala 6x1 não é apenas uma mudança na lei, é uma questão de justiça social. E, graças ao xeque-mate desta terça-feira, 14/04, o Brasil finalmente vai ver quem, no Congresso, realmente joga no time do povo e quem só quer manter o chicote estalando. O prazo está correndo. Os olhos do trabalhador estão abertos. Quem vai ter coragem de votar contra o descanso do brasileiro?