Com citação de Geddel em delação de facção, candidatura do primo dos Vieira Lima, entra em alerta, e pode evaporar em Itapetinga mesnos com apoio de Eduardo Hagge.
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| Geddel vieira Lima (MDB) e o Prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB), em evento político na cidade. |
Se a política baiana fosse um canteiro de obras, o MDB de Itapetinga estaria cavando sua própria cova. O drama da vez atende pelo nome de Jayme Vieira Lima. O pecado de Jayme? O sobrenome. O azar? Ter como fiadores políticos os primos Lúcio e Geddel, esse último, é aquele que transformou um apartamento em Salvador em uma filial da Casa da Moeda com seus R$ 51 milhões.
Mas, como diria o ditado, "nada está tão ruim que Geddel não possa piorar". Quando todos achavam que o ex-ministro se dedicaria apenas a curtir a liberdade e o ostracismo, ele ressurge das cinzas de uma delação premiada. Desta vez, o assunto não é "apenas" mala de dinheiro público, mas algo mais... republicano: uma suposta propina de R$ 1 milhão para facilitar a fuga de detentos do crime organizado da facção: (PCE - Primeiro Comando de Eunápolis) em Eunápolis na Bahia. Segundo a delação, o pagamento teria vindo em uma humilde caixa de sapato.
Enquanto o "chefe" (como Geddel é citado na delação). Em Itapetinga o prefeito Eduardo Hagge resolveu dobrar a aposta. Com uma popularidade que amarga parcos 25% de aprovação a sua gestão, um índice que faria qualquer político procurar um buraco para se esconder, Eduardo insiste em carregar Jayme nas costas.
A fidelidade de Eduardo a Geddel é algo que desafia a lógica e, principalmente, a família. Para defender os interesses dos Vieira Lima, o prefeito não hesitou em brigar feio com o sobrinho e ex-prefeito Rodrigo Hagge, que, num raro momento de lucidez política, percebeu que abraçar um candidato vinculado a facções criminosas e malas de dinheiro é o caminho mais curto para o suicídio eleitoral.
Citação de Geddel em fuga do PCE ameaça MDB e a candidatura a federal do primo Jayme Vieira Lima
O problema para Jayme Vieira Lima é o famoso "Efeito Orloff": o eleitor olha para ele e vê o Geddel de amanhã. Por mais que Jayme jure que não tem nada a ver com as peripécias do primo, em política, o parentesco é o destino. Em Itapetinga, as redes sociais já não perdoam. O apelido de "candidato promissor" foi substituído pelo de "parente do homem da caixa de sapato".
Tentar transferir votos com 25% de aprovação já é uma missão quase impossível. Fazer isso enquanto o padrinho político é citado como "ponte" para o crime organizado é, no mínimo, um exercício de fé, ou de pura cara de pau.
A pergunta que fica nos grupos de WhatsApp da "Capital do Gado" é uma só: o que Geddel tem com Eduardo Hagge para exigir tamanha fidelidade? O prefeito parece disposto a afundar abraçado com Jayme e os Vieira Lima, ignorando o tsunami que vem das delegacias e dos presídios.
No tabuleiro árduo da política baiana, Jayme Vieira Lima é o azarão que herdou o espólio de um império em ruínas. Se ele chegar à Câmara Federal, será um milagre da engenharia política. Se não chegar, poderá ao menos dizer que foi fiel à tradição da família: estar sempre nas manchetes, embora raramente pelas razões certas.

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