Citação de Geddel em fuga do PCE ameaça MDB e a candidatura a federal do primo Jayme Vieira Lima

Parente do ex-ministro, pré-candidato a deputado federal já sente o estrago, onde o primo vira sinônimo de rejeição por conta das encrencas de Geddel.

Citação de Geddel em fuga do PCE ameaça MDB e a candidatura a federal do primo Jayme Vieira Lima
Citado em delação de facção criminosa, Geddel Viera Lima pode implodir candidatura do primo a federal. 

Não importa se Geddel Vieira Lima for inocente. Aliás, essa palavra inocente há muito perdeu o direito de circular na mesma frase que o sobrenome do ex-ministro. O estrago, meus caros, já está feito. E como sempre acontece na política brasileira, a ficha não cai no colo de um só.

Desta vez, a encrenca é tão esdrúxula que parece roteiro de novela. Geddel, o mesmo dos R$ 51 milhões entre paredes e malas, ressurgiu das cinzas em uma delação premiada que o coloca como “chefe” de um esquema de propina oriundo do crime organizado. Sim, você leu certo: o ex-ministro do Turismo, ex-deputado e velho conhecido dos tribunais teria recebido R$ 1 milhão de traficantes para facilitar a fuga de 16 detentos do Conjunto Penal de Eunápolis (PCE), no sul da Bahia.

A delatora, a ex-diretora da unidade prisional Joneuma Silva Neres, foi clínica: “Metade para o chefe”. A outra metade ficaria com o ex-deputado Uldurico Júnior (MDB). O pagamento, segundo ela, foi dividido em espécie, parte dentro de uma caixa de sapato. Geddel, por sua vez, já negou tudo. Disse que teve apenas “contatos institucionais” e que está “indignado”. Pode até ser verdade. Mas, convenhamos: o currículo do homem pesa mais que as malas que um dia esconderam milhões.

E é aí que o drama vira tragédia familiar.

Entre na roda, Jayme Vieira Lima. Primo de Geddel. Pré-candidato a deputado federal pelo MDB. E, neste momento, a pessoa mais azarada da política baiana.

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Jayme não tem nada a ver com a fuga de Eunápolis. Nunca foi citado. Nunca recebeu propina de traficante. Mas tente explicar isso ao eleitor médio de Itapetinga, onde as redes sociais explodiram com memes, recortes de jornais e montagens ligando os dois sobrenomes. Em política, a biologia pesa mais que a razão. Falar de Jayme é lembrar de Geddel. Lembrar de Geddel é lembrar de propina. Propina, hoje, vem com direito a facção criminosa.

Resultado: a candidatura do primo começa a sangrar antes mesmo de sair do papel.

A questão agora não é mais Geddel. É o MDB baiano inteiro. Por mais que a legenda tente se distanciar, a política tem dessas sacanagens: ela liga os pontos que a realidade insiste em separar. E os pontos estão todos aí: Geddel é MDB. Jayme é MDB. Uldurico Júnior, preso, também era MDB.

Pronto. A costura está feita.

Candidatos a federal, estadual, vereador todos começam a ouvir na rua a mesma pergunta venenosa: “Você é do partido do Geddel?”. Responder que sim é assumir o fardo. Responder que não é mentir. E mentir explicitamente em ano eleitoral é atestado de óbito.

O que se vê, neste momento, é um tsunami silencioso de compartilhamentos. Grupos de WhatsApp, stories no Instagram, enxurrada de áudios. Ninguém perde tempo. A cada nova mensagem, a imagem de Jayme se distancia mais do “candidato promissor” e se aproxima do “parente do chefão”.

Aqui vai a verdade mais dura: mesmo que Geddel apresente vídeo, áudio, assinatura em cartório e depoimento de santo, o estrago já foi plantado. A associação está feita. O nome foi cravado na delação. E a partir de agora, toda vez que o MDB subir no palanque na Bahia, vai ter um eleitor lá embaixo perguntando: “E o chefe, cadê?”.

O caso ainda vai render. Geddel não foi alvo da operação na Bahia e no Rio, mas isso é detalhe. O que importa, no tabuleiro sujo da política, é que ele foi citado. E citado como “chefe”. E chefe, na hierarquia do crime, manda. Recebe. Orienta.

Para Jayme Vieira Lima, o tempo até outubro será uma tortura. A cada novo compartilhamento, a cada nova manchete, o primo paga um preço que não deve. Mas a política, meus amigos, nunca foi justa. Ela só sabe cobrar e sempre com juros.