Tio contra Sobrinho: A ‘Guerra dos Hagge’ incendeia a Câmara, mas o telhado do prefeito também é de vidro

Entre ataques à herança do sobrinho Rodrigo e o silêncio sobre as próprias polêmicas no TCM, Eduardo Hagge abre o ano legislativo com um discurso de “santidade administrativa” que não sobrevive a uma consulta ao Diário Oficial.

Tio contra Sobrinho: A ‘Guerra dos Hagge’ incendeia a Câmara, mas o telhado do prefeito também é de vidro
Foto criada por IA, em cenário de telhado de vidro, do prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB)

O clima na abertura dos trabalhos da Câmara de Vereadores de Itapetinga nesta terça-feira (24) foi de tudo, menos de paz familiar. O prefeito Eduardo Hagge (MDB) subiu à tribuna não apenas para ler uma mensagem institucional, mas para descarregar uma metralhadora de críticas contra seu antecessor e sobrinho, Rodrigo Hagge. No entanto, enquanto apontava o dedo para o “caos” herdado, o "Tiozão" da prefeitura parece ter sofrido de uma amnésia seletiva sobre as investigações que batem à sua própria porta.

Eduardo não economizou nos adjetivos. Falou em “gestores de plantão”, “tiranetes de autoridade” e classificou a gestão do sobrinho como um terreno de “erros primários” e “RH desordenado”. Com um ar de mestre da gestão, o atual prefeito tentou pintar Rodrigo como o vilão responsável por uma dívida de R$ 130 milhões e milhares de processos judiciais.

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O detalhe que o prefeito esqueceu de mencionar é que ele foi o candidato escolhido a dedo por Rodrigo. Agora, convenientemente, ele afirma que "fingia não saber" das dívidas, embora tenha usado toda a estrutura da gestão do sobrinho para se eleger em uma disputa acirrada.

Enquanto Eduardo batia no peito para falar de "compliance", transparência e economia de R$ 20 milhões, o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) parece ter uma visão bem diferente da sua “gestão técnica”.

O prefeito, que adora criticar as irregularidades alheias, agora teve 10 dias para explicar ao TCM por que cancelou um contrato legal de R$ 1,4 milhão (nº 103/2024) com uma empresa local para meses depois, realizar três compras diretas "no apagar das luzes" de 2025. O esquema foi criativo: três dispensas de licitação que, somadas, chegam a quase R$ 800 mil em materiais de construção, tudo sob a eterna desculpa da "emergência".

O Suspense, é: Por que cancelar uma licitação válida para favorecer três empresas sem concorrência? Isso é a "prospecção de recursos" que o prefeito tanto elogiou?

Se no esporte e no lazer Itapetinga vive um "mar de rosas" segundo o discurso de Eduardo, que não bate com a realidade, já que áreas na gestão do Tiozão deve receber a menor verba de sua existência, na vida real a saúde pública pede socorro. Eduardo omitiu o estado crítico do Hospital Municipal Virgínia Hagge, que corre risco de fechar as portas, por problema judiciais e o CDM, se limitar a marcação de exames, de urina e sangue. 

Mais silencioso ainda foi o prefeito sobre o mega-contrato de R$ 40 milhões para a contratação de funcionários terceirizados, um valor inédito na história da cidade, que muitos apontam como um verdadeiro "cabide de empregos" para indicações políticas.

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Eduardo Hagge encerrou dizendo que "o resto é retórica e blá, blá, blá". Contudo, para o cidadão de Itapetinga, as contas que não fecham na saúde e as notificações do TCM sugerem que a verdadeira retórica pode estar vindo justamente de quem hoje ocupa a cadeira principal da Prefeitura Municipal. A guerra familiar entre tio e sobrinho serve bem como distração, mas o Tribunal de Contas não parecem interessados em brigas de família, e sim no destino do dinheiro público.

É vida que segue...