Em agenda oficial, o governador da Bahia desembarca no meio de uma disputa familiar que coloca aliados tradicionais em campos opostos; o desafio é lançar obra sem se queimar na política local.
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| Governador da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT) |
A agenda do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), em Itapetinga, neste sábado (28/02), tem tudo para ser um exercício de diplomacia de alto risco. O motivo é a "guerra civil" instalada no clã Hagge, que transformou o cenário político do município em um autêntico campo minado.
Para o governo, o evento, o lançamento da pedra fundamental para construção de um novo hospital regional, deveria ser uma entrega clássica de gestão. Mas, na política, a realidade nunca é tão simples. O governador chega a um território onde o terreno foi movido por um racha familiar que desafia a lógica dos partidos.
A briga entre tio e sobrinho, o atual prefeito Eduardo Hagge (MDB) e o ex-prefeito Rodrigo Hagge (sem partido), atingiu um nível em que a conciliação parece ter ficado no passado.
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A ruptura ganhou um capítulo novo e surpreendente: Rodrigo, o sobrinho, decidiu caminhar com a oposição local, formando uma aliança que mistura água e óleo. Ele se aliou à líder opositora Cida Moura (PSD) e ao deputado federal Antônio Brito (PSD), compondo uma dobradinha para a disputa estadual.
"É uma tentativa de reorganizar as forças locais que, se prosperar, promete alterar o equilíbrio de poder na prefeitura e colocar em xeque a sucessão municipal de 2028."
O nó górdio para o Palácio de Ondina reside na complexa geometria política local, onde o governador Jerônimo Rodrigues precisa equilibrar pratos delicados: ao mesmo tempo em que o atual prefeito, Eduardo Hagge (MDB), atua como pilar de sua base, ele se vê diante de uma coalizão inusitada entre a líder oposicionista Cida Moura (PSD), historicamente alinhada ao petismo, e o ex-prefeito Rodrigo Hagge, que, apesar da parceria com Cida, mantém suas raízes fincadas no apoio ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), o grande adversário do grupo governista na Bahia.
Como diz o ditado, "a política é a arte de conciliar o inconciliável". Jerônimo está diante de um dilema clássico: como manter a aliança com Cida Moura (e o deputado Antônio Brito) sem, com isso, trair a confiança do prefeito Eduardo, que lhe garante palanque na cidade?
A disputa em Itapetinga, segundo pesquisas de consumo interno, está acirrada entre o grupo carlista e os petistas. Nesse cenário, qualquer gesto do governador será lido com lupa.
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Se der atenção demais a um lado, desequilibra o outro. Se for "paz e amor", seguindo o estilo de Lula, corre o risco de ser visto como omisso. Se tomar partido, vira alvo imediato de um dos grupos.
Para Jerônimo, a lição de casa para este sábado é clara: lançar a pedra inaugural da obra, sorrir para as fotos e sair de Itapetinga sem carregar a fatura de uma briga que, na essência, não é sua. Resta saber se o tabuleiro de Itapetinga permitirá que ele saia ileso.

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