Vereadores de Itapetinga viram restos de parição na crise do Virginia Hagge

Na Câmara de Itapetinga, o silêncio dos edis sobre crise na maternidade municipal é mais assustador que a dor do parto.

Vereadores de Itapetinga viram restos de parição na crise do Virginia Hagge
Plenário da Câmara Municipal de Itapetinga ignora crise em hospital infantil da cidade.

Parição. A palavra é forte, mas necessária. Enquanto as gestantes de Itapetinga enfrentam a dor primordial de dar à luz, a Câmara de Vereadores nos apresenta outro tipo de parto: o dos seus próprios vereadores, um resto de parição política que vem das urnas e que agora se recusa a encarar a crise que ameaça os partos no Hospital Virginia Hagge.

O que sai dessa "parição legislativa" não é vida, mas sim o silêncio cúmplice que condena mães ao desespero. Enquanto mulheres recorrem a vaquinhas para juntar R$ 7 mil por um parto seguro no hospital particular, os nobres edis se aninham confortavelmente no plenário, transformado em santuário da omissão, onde o maior constrangimento não é ver gestantes em trabalho de parto sem condições adequadas, mas sim incomodar o prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge com perguntas inconvenientes sobre uma crise em um hospital que leva o nome de sua irmã.

Partos particulares a R$ 7 mil no HCR escancaram crise na maternidade do Hospital Virginia Hagge.

A crise no Virginia Hagge escancara a verdadeira natureza dessa "parição" política: vereadores que nasceram das urnas para servir ao povo, mas que preferem servir de capachos do poder. Eles, que deveriam ser a voz do povo, transformaram-se em meros restos de uma parição que deu errado, incapazes de cumprir seu papel fundamental na vida da comunidade local, que os escolheram para representá-los.

Enquanto isso, as verdadeiras heroínas, as enfermeiras, que tiveram de se espelhar nas antigas parteiras de séculos passados, seguram sozinhas um sistema em via de colapso. Elas, sim, entendem de parição: do parto que gera vida, não do parto político que gera morte e descaso.

Itapetinga precisa urgentemente de uma nova parição política. Uma que produza vereadores de verdade, não esses restos de representatividade que assistem calados ao dilema medieval entre o parto arriscado no público e o parto endividado no privado.

Que o povo de Itapetinga lembre na próxima parição eleitoral: alguns partos políticos precisam ser interrompidos para que outros, mais saudáveis e comprometidos com a vida, possam vir ao mundo.