Aliado em queda livre vira pedra no sapato de Jerônimo em Itapetinga, e Palácio de Ondina se vê forçado a buscar a oposição para evitar naufrágio petista na cidade.
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| Na imagem em Itapetinga, o ex-ministro Geddel Viera Lima (MDB), o prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB), e o governador da Bahia Jerônimo Rodrigues. |
A política em Itapetinga, um dos termômetros do interior baiano, está esquentando, e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) está com o suor frio na nuca. A razão é um quebra-cabeça que mistura aliado impopular, herança familiar turbulenta e a sombra do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
A princípio, a cena em Itapetinga até parece confortável para o governador. Nas pesquisas para o governo do estado, ele está num empate técnico, porém atrás de ACM Neto em uma cidade historicamente anti-petista. Um feito e tanto. O desconforto, no entanto, mora na casa ao lado, e seu nome é Eduardo Hagge (MDB).
O prefeito, aliado recente de Jerônimo, aparece em uma pesquisa local com a popularidade em frangalhos. Mesmo com a eleição de 2028, distante, Eduardo Hagge pátina em míseros 7,6% nas intenções de voto. Para um gestor que assumiu o poder municipal há menos de um ano, é um desgaste monumental e um sinal de alerta que soou alto no Palácio de Ondina, após brigar no clã Hagge.
A pesquisa foi realizada por telefone, entre os dias 16 e 17 de novembro, por um instituto de Salvador, com previsão de acerto de 94%, com 743 entrevistados.
O recado que Jerônimo recebeu é claro: o favoritismo de Lula na cidade não se traduz em sucesso automático para o governador. E pior: o terreno sob os pés do seu aliado está cedendo.
O pesadelo do prefeito Eduardo tem sobrenome conhecido: o próprio. A mesma pesquisa que o coloca no chão mostra seu sobrinho, o ex-prefeito Rodrigo Hagge (sem partido), disparado com uma frente de 17%, sob os seus quase 8%. O cenário é digno de um drama familiar: o sobrinho desbancando o tiozão no próprio quintal.
Completando o quadro desolador para a base governista, vem logo atrás o ex-vice-prefeito Renan Pereira (União Brasil), com apenas 3,8%. A mensagem é que a administração Eduardo pode estar isolada, e a oposição, forte e fragmentada, é um campo minado para Jerônimo.
Diante do naufrágio de seu aliado, o governador não tem mais rodeios. A solução, ainda que indigesta para setores do PT na cidade, é uma reaproximação com a líder opositora Cida Moura (PSD), que lidera todas as pesquisas na cidade com folga, beirando os 54%.
Brigas dos Hagge põem em xeque o sucesso eleitoral de Jerônimo em Itapetinga.
O problema é doméstico. O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), líder do governo na Assembleia Legislativa, torce, hoje, o nariz para os Moura. Mas a realidade eleitoral fala mais alto. Jerônimo percebeu que, em Itapetinga, o pragmatismo precisa vencer o purismo partidário.
O grande temor que ronda os corredores do Palácio de Ondina é que, se o governador não se mover rápido, uma aliança natural entre a popular Cida Moura e o forte Rodrigo Hagge possa se formar. E essa aliança, muito mais do que ajudar Jerônimo, seria um trunfo e tanto nas mãos de ACM Neto, que está na frente em Itapetinga, como um reduto até aqui anti-petista.
Jerônimo precisa correr contra o tempo para reordenar as peças no tabuleiro local antes que o jogo esteja perdido na única cidade onde Lula vence, mas o governador, por enquanto, não.
É tensão, é vida que segue...

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