Eduardo Hagge precisa parar de fingir que não sabia de dívidas e começar a governar Itapetinga

Enquanto Eduardo Hagge encena a comédia da 'surpresa' com as contas do sobrinho, a população paga o preço por um prefeito que não mostra para que veio.

Prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB), em vistas a início de obras na cidade de governos federal e estadual. 

Em Itapetinga, estamos assistindo a uma peça de teatro tão repetitiva que já dá para decorar o roteiro. O ato principal, protagonizado pelo prefeito Eduardo Hagge (MDB), se chama "O inocente aflito". O enredo? Um tiozão, surpreendido, pasmem! Com as supostas dívidas astronômicas que seu sobrinho e antecessor, Rodrigo Hagge, deixou na prefeitura. A performance é tão convincente que, se não fosse pela plateia passar necessidade, daria até um prêmio de dramaturgia.

É de cair o queixo a capacidade do prefeito de Itapetinga, fingir que não viu a máquina eleitoral que o sobrinho montou com o dinheiro público. Enquanto a então candidata Cida Moura (PSD) liderava as pesquisas com seu carisma, o então prefeito Rodrigo Hagge transformou a prefeitura no quartel-general da campanha do tio. Contratações em massa, contratos milionários e a histórica distribuição de cestas básicas, estas, inclusive, algumas apreendidas pela promotoria eleitoral, que, vejam só, não tinha como conter a farra por absoluta falta de estrutura.

Parece que o "Tiozão" estava em coma eleitoral. Não viu os caminhões de hope (leia-se: cesta básica, cerveja, churrascos, camisas e muita grana) saindo da prefeitura para comprar não só votos, mas uma bancada de seis vereadores e mais três aliados de outras legendas eleitas. Não sabia que a vitória, conquistada a menos de três dias da eleição após uma avalanche de gastos, tinha um preço. Um preço que, agora, ele alega ser uma surpresa desagradável.

Que conveniente. A estratégia de governo do prefeito se resume a apontar o dedo para o sobrinho e cruzar os braços. A incompetência na gestão pública se esconde atrás do fantasma das dívidas, um fantasma que, todos sabem, ele ajudou a criar. É um insulto à inteligência do itapetinguense querer fazer crer que o principal beneficiário da farra não tinha a menor ideia de como a festa foi bancada.

Aliados admitem fragilidade do prefeito Eduardo Hagge e buscam conter mais desgastes.

E a cereja do sarcasmo nesse bolo amargo? Agora, o prefeito se apropria de obras conseguidas a duras penas pela oposição junto a governos estaduais e federais. Após anos de uma gestão anterior que insistia toscamente em "administrar com verbas próprias", resultando em ruínas, a líder Cida Moura é quem buscou esses recursos. O "Tiozão Inocente", que não consegue governar, agora posa ao lado de máquinas e quer inaugurar obras que não movimentou um dedo para conseguir. Finge que trabalha.

Até a repentina mudança de cor das famosas localidades próximo as "bocas-de-fumo", que, segundo o burburinho local, de tão “azuis, amarelaram da noite para o dia” parece ter passado despercebida pelo nosso prefeito. Será que ele também não sabia? É muita ingenuidade para um único cargo.

Está na hora de Eduardo Hagge trocar o roteiro. Itapetinga já cansou dessa novela. A população não precisa de um ator que finge não saber, mas de um gestor que assume a responsabilidade, para o bem e para o mal, e comece, finalmente, a governar. Parar de fingir seria um excelente primeiro ato. É por isso, que o Tiozão amargar um terceiro lugar em pesquisas internas do seu próprio partido, na rapadinha de um só digito.