Queda na rejeição entre opositores dá razão a Rodrigo Hagge ao chamar 'tio' de traidor

Pesquisa encomendada pelo Palácio de Ondina mostra que, em Itapetinga, 64% dos que eram contra o ex-prefeito agora votam nele, e o motivo tem nome: a briga de família.

Ex-prefeito de Itapetinga Rodrigo Hagge (PSDB), na posse do tio, atual prefeito Eduardo Hagge (MDB), [sentado].

A política, às vezes, é movida a ideal, plano de governo e propostas. Mas, em Itapetinga, no sudoeste da Bahia, o que está movendo voto mesmo é uma briga de tio e sobrinho. E não é brincadeira não: a coisa tá tão séria que até pesquisa encomendada pelo Palácio de Ondina (sede do governo estadual) percebeu o fenômeno.

O levantamento foi feito para medir a força dos candidatos a deputado estadual e federal pelo PT na região de Itapetinga e Vitória da Conquista. E o resultado, pro PT, não foi nada animador: a turma petista não tá com essa bola toda no Sudoeste, não. Vai precisar de muito apoio se quiser sonhar com um cadeiras na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) para uma bancada de peso.

Mas o dado que mais chamou atenção não foi a rejeição aos candidatos petistas. Foi outro: a rejeição ao nome do ex-prefeito de Itapetinga Rodrigo Hagge (PSDB), candidato a deputado estadual, despencou justamente entre os eleitores que mais eram contra ele, aqueles que não votaram no tio, o atual prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB).

De acordo com a pesquisa, 64% dos eleitores que se declaram opositores de Rodrigo Hagge disseram que votam nele. Perguntou o motivo? Foi simples: “a traição do tio” e “por ele ser candidato de Itapetinga”. Ou seja: tão votando no sobrinho não por milagre, mas porque acham que o tio passou a perna nele.

Essa história de traição não é invenção da pesquisa, não. É pública. Há poucos dias, Rodrigo Hagge soltou uma resposta que virou o assunto na cidade. Quando perguntaram se ele se arrependia de ter apoiado o tio Eduardo pra prefeito, ele respondeu na lata:

“Com certeza não. Tive a melhor das intenções, acreditei e apostei; infelizmente não correspondeu à expectativa. (...) Quem tem que se arrepender é quem traiu a confiança, é quem não honrou os votos que teve.”

Guerra dos Hagge: Rodrigo fala em ‘traição’ do tio; prefeito Eduardo retruca sobrinho: deixa de ‘mimimi’ 

Pronto. A palavra “traição” ficou no ar. E o tio Eduardo não deixou barato não. Mandou um vídeo, dentro do seu próprio carro, tentando dar uma bronca:

“Que ele procure desenvolver ideias, propostas, dialogar com a região, coisa que não fez. Espero que a campanha não faça plataforma usando ‘mimimi’ de traição.”

Mas, pelo jeito, o “mimimi” tá colhendo voto. A pesquisa mostrou que, em Itororó, cidade natal do deputado estadual Rosemberg Pinto (PT), o eleitorado prefere deixar o filho da terra pra trás e votar em Rodrigo Hagge. Isso mesmo: o candidato perde na própria casa. Pro ex-prefeito de Itapetinga.

E pra completar o cenário, Rodrigo não tá parado. Tá se aproximando de novos aliados políticos, como o grupo do deputado federal Antônio Brito (PSD), no qual que fazer uma dobradinha. Quer dizer: o sobrinho que um dia carregou o tio nas costas agora tá andando com quem era contra o tio.

Do outro lado, Eduardo Hagge aposta nos pré-candidatos estaduais, onde tudo, indica deve abraçar o ex-prefeito Carlinho Sobral (MDB), e o atual deputado Rosemberg Pinto (PT), para concorrer contra o próprio sobrinho Rodrigo. 

No fim, o que tá em jogo não é só uma vaga na Assembleia Legislativa. É a hegemonia da família Hagge em Itapetinga. Se a aliança de Rodrigo com a líder opositora Cida Moura (PSD), vingar, o tio Eduardo corre o risco de ver o sobrinho que ele chama de “reclamão” ser ovacionado pelos antigos adversários. E a cidade, claro, assiste a tudo de camarote.

Na política de Itapetinga, traição virou voto. E Rodrigo Hagge, que chamou o tio de traidor, pode estar mais certo do que imagina.

Não é 'mimimi', é vida que segue...