Privatização de refinaria de Bolsonaro vira ‘bomba’ no bolso dos baianos e ameaça plano de Lula

Promessa de combustível barato deu lugar à segunda gasolina mais cara do Brasil; Bahia sofre com reajustes de refinaria privada enquanto Governo Lula está zerando os impostos.

Privatização de refinaria de Bolsonaro vira ‘bomba’ no bolso dos baianos e ameaça plano de Lula
Refinaria privatizada na Bahia anuncia reajuste de até 20% no diesel e de 7,4% na gasolina.

O que era para ser uma promessa de liberdade e preços baixos virou um pesadelo logístico e financeiro para os baianos. A estratégia na época do governo de Jair Bolsonaro de privatizar refinarias brasileiras, sob o argumento de que a concorrência derrubaria os preços, mostra hoje sua face mais amarga: a Bahia tem a segunda gasolina mais cara do país, perdendo apenas para o Acre, entre os 26 e o Distrito Federal.

O caso da Refinaria de Mataripe (antiga RLAM), em São Francisco do Conde, é o exemplo mais claro do que especialistas agora chamam de "erro estratégico". Vendida para o grupo Mubadala (Acelen) em 2021, a unidade que já foi a primeira do Brasil e é responsável por 14% do refino nacional, hoje opera com preços de mercado internacional, ignorando a realidade brasileira.

O Sacrifício do Governo e o "Muro" das Privadas
Nesta quinta-feira (12/03), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote drástico para tentar segurar a inflação causada pela guerra no Oriente Médio. Em uma "engenharia econômica", o governo zerou impostos federais (PIS/Cofins) e criou subsídios que, somados, deve baixar o diesel em R$ 0,64 por litro.

"Estamos fazendo um sacrifício enorme para evitar que os efeitos dessa guerra cheguem ao bolso do motorista e ao prato de feijão do povo", afirmou Lula.

No entanto, o esforço parece bater de frente com a realidade das refinarias privatizadas. No mesmo dia em que o governo anunciou o alívio, a Refinaria de Mataripe anunciou um aumento agressivo:

•    Diesel S10: subiu 19,5% (de R$ 4,18 para R$ 5,00)
•    Gasolina: subiu 7,4%

Na prática, o aumento imposto pela refinaria privada na Bahia "engoliu" quase todo o desconto oferecido pelo governo federal. Enquanto a Petrobras (ainda estatal) consegue segurar os preços para proteger a economia interna, as unidades privadas repassam o custo do dólar e do barril de petróleo imediatamente ao consumidor.

Baianos pagam pela gasolina mais cara do Brasil após privatização de refinaria na Bahia 

A Guerra dos Preços e a Crítica Política
Para financiar essa redução de impostos sem quebrar as contas do país, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou a criação de um imposto temporário sobre a exportação de petróleo bruto. A lógica é simples: quem está lucrando bilhões com a guerra deve ajudar a custear o consumo interno.

A medida sofreu ataques de setores da imprensa econômica e oposição, que tentaram comparar as ações de Lula aos erros de intervenção do governo Jair Bolsonaro. No entanto, as críticas não ganharam fôlego, afinal, que pagará a conta é os brasileiros. Com o apoio popular à redução dos combustíveis, até a oposição de direita e extrema-direita recuou, evitando criticar uma medida que beneficia diretamente o caminhoneiro e o consumidor final.

Fiscalização Rígida
Para garantir que o dinheiro da renúncia fiscal não fique no bolso dos donos de postos e distribuidoras, o governo editou decretos de transparência. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) terá poder para punir "lucros abusivos".

"Não é controle de preços, é combate à abusividade", explicou Haddad. O desafio agora é fazer com que essa ajuda chegue às bombas na Bahia, onde o modelo de privatização de Bolsonaro criou um "monopólio privado" que parece imune aos apelos do país.