Caso Master atinge o líder da direita baiana, ACM Neto

Enquanto a direita baiana sonha com o Planalto e Ondina, os milhões da consultoria "expressiva" de ACM Neto acordam o COAF.

Caso Master atinge o líder da direita baiana, ACM Neto
Líder da Direita baiana e vice-presidente do União Brasil ACM Neto é encontrado em movimentação suspeitas que envolva o caso Master.

O cenário político baiano, sempre afeito a reviravoltas dignas de um drama épico, acaba de ganhar um capítulo que faz tremer as bases do União Brasil. O protagonista? Ninguém menos que ACM Neto, o homem que carrega o legado da família mais tradicional da Bahia e que, hoje, ostenta o título de maior liderança da direita no estado.

Mas não se engane com os sorrisos de pré-campanha a govenador da Bahia. O que corre nos bastidores é um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que mais parece um roteiro de suspense. Segundo o órgão, a empresa de Neto, a A&M Consultoria, recebeu a vultosa quantia de R$ 3,6 milhões vindos do Banco Master (de Daniel Vorcaro) e da gestora Reag.

O que causa o "frio na espinha" dos aliados não é apenas o valor, mas o timing. A empresa foi criada no apagar das luzes de 2022, logo após a derrota de Neto nas urnas, com um capital social de módicos R$ 2 mil. De repente, como num passe de mágica do mercado financeiro, a estrutura bilionária do Master e da Reag viu na recém-nascida consultoria uma fonte indispensável de saber.

O Coaf, que não é dado a sentimentalismos, foi direto ao ponto: a movimentação é "expressiva e acima da capacidade financeira declarada". Para o colunista atento, a pergunta que fica no ar é: o que vale tanto ouro? Neto diz que é "análise da agenda político-econômica". Um serviço caro, não?

Este escândalo não nasce no vácuo. O chamado "Caso Master" tem se revelado um buraco negro que atrai figuras da extrema-direita, da direita tradicional e do centro, deixando a esquerda, por ora, apenas assistindo de camarote.

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Para ACM Neto, o timing é desastroso. Ele, que é o pilar da direita baiana e principal articulador para manter o estado no radar conservador, flerta abertamente com o apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Como sustentar o discurso de "moralidade" e "nova gestão" quando o Coaf aponta o dedo para repasses milionários que brotaram assim que o cargo público se foi?

"Identificamos que a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada", Relatório do Coaf.

Neto, claro, mantém a pose. Por meio de nota, jura que tudo é fruto de suor e intelecto, com impostos pagos e reuniões documentadas. Diz que, na época, nada desabonava o Banco Master. O problema é que, na política, a versão oficial raramente sobrevive ao tribunal da opinião pública quando os números envolvem tantos zeros.

A direita baiana, que pretendia marchar unida rumo a 2026, agora precisa olhar para os lados. O "Caso Master" não é apenas um relatório técnico; é uma mancha no figurino de quem quer ser o salvador da Bahia e o aliado número um dos Bolsonaro no Nordeste.

Resta saber se o eleitor verá nesses R$ 3,6 milhões apenas uma "consultoria de sucesso" ou o combustível para uma crise que pode incendiar as ambições de quem se julgava intocável.