Da mala de R$ 51 milhões ao "chega pra lá" político: isolados e abandonados, os irmãos Vieira Lima ensaiam um pulo no colo de ACM Neto, deixando o prefeito de Itapetinga falando sozinho.
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| Alta cúpula do PT e PSD, deve formar aliança na eleição ao Palácio de Ondina deixando a influência dos irmãos Vieira Lima. |
Quem diria, hein? A política baiana resolveu superar qualquer enredo de tirar o fôlego nos últimos dias. Depois de passar uma temporada na Papuda e na Mata Escura, hotéis nada cinco estrelas administrados pelo sistema penitenciário, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, aquele mesmo das malas de R$ 51 milhões, está prestes a levar um "chega pra lá" histórico do governo estadual.
Ao lado do irmão, o ex-deputado Lúcio Vieira Lima, o patriarca moral do MDB na Bahia vê, pasmem, a cadeira de vice-governador escorregar por entre os dedos. O senador Otto Alencar (PSD) resolveu parar de ouvir só rumores e transformou em missão de vida: a vaga, antes ocupada por Geraldo Jr. (MDB), agora tem dono novo. E não é dos irmãos Vieira Lima.
A reunião dos poderosos Jaques Wagner (PT), Rui Costa (PT) e Otto Alencar (PSD), escancarou o que já se desenhava nos bastidores: o PSD quer a vice, e o MDB que se vire. Ivana Bastos, a deputada mais votada da Bahia, foi a primeira escolha. Ela disse "não, obrigada". Mas o partido de Otto tem lista tríplice e não vai largar o osso.
Diante do inevitável, Geddel, que já não carrega malas, mas carrega um histórico político pesado, começou a deixar cair migalhas: se o governador Jerônimo Rodrigues (PT) der as costas, ele pode ir parar nos braços do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil). Sim, o inimigo histórico do PT. A política tem dessas: hoje te odeio, amanhã te quero na chapa.
Prefeito Eduardo Hagge em apuros com Geddel na mira do STF e próximo de ACM Neto
E é exatamente aí que a trama vira drama, especialmente em Itapetinga. O prefeito Eduardo Hagge, que até outro dia posava de defensor da lealdade partidária, agora se vê num mato sem cachorro.
Eduardo, vinha repetindo em cada entrevista que a briga com o sobrinho e ex-prefeito Rodrigo Hagge era por pura convicção política. Enquanto o sobrinho seguia ACM Neto, ele, fiel escudeiro dos Vieira Lima, decidiu apoiar o governador petista. Era questão de honra, de tradição, de sangue nos olhos, dizia ele.
Bonito, não? Pois bem! Agora que os próprios padrinhos políticos estão de malas prontas (e não, não são de dinheiro) para o lado de lá, Eduardo Hagge começa a perceber que pode ter sobrado no palanque errado. Sozinho. Os conselheiros que o cercam? Bom, esses devem estar mais perdidos do que ele.
Ondina em alerta: ‘apoio exclusivo de Eduardo Hagge pode ser o tropeço de Jerônimo em Itapetinga’
O drama de Eduardo Hagge é simples: se os Vieira Lima realmente trocarem de lado e forem abraçar ACM Neto, o prefeito de Itapetinga vai ter que explicar aos aliados que o abandonaram, os tais "gabirabas", por que motivo ele agora estaria do lado do "sobrinho traidor". Ou pior: terá que engolir o próprio discurso e mudar de lado também? Dançando conforme a música dos novos aliados dos padrinhos.
E assim, no tabuleiro político baiano, peças são trocadas, malas são lembradas e prefeitos ficam a ver navios. Enquanto o PSD comemora, o MDB chora. E Eduardo Hagge? Bom, ele tá só observando, torcendo pra não ser o único a ficar sem cadeira quando a música parar.
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