Adeus, cartão combustível: O fim da 'mamata de tanque cheio' na Câmara de Itapetinga

Com o carimbo de Flávio Dino, os 15 vereadores da cidade terão que aprender o significado de uma palavra exótica: "trabalho" (e de outra pior ainda: "prestação de contas").

Adeus, cartão combustível: O fim da 'mamata de tanque cheio' na Câmara de Itapetinga
Flávio Dino do STF, barra farra dos combustíveis na Câmara de Itapetinga

Parece que o preço da gasolina finalmente vai pesar no bolso de quem manda em Itapetinga. Em uma decisão que caiu como uma bomba (ou melhor, como um bico de bomba injetora) na Câmara Municipal, o ministro Flávio Dino, do STF, decidiu que a era do "abastece que o povo paga" está com os dias contados.

Para quem não está por dentro da generosidade alheia, aqui vai o cenário: cada um dos nossos nobres 15 vereadores recebem mensais R$ 1.500,00 para "trabalhar". O detalhe? A Câmara só tem um carro oficial. O resto? É tudo no tanque de carros particulares, sem nota fiscal, sem relatório de quilometragem e, pelo visto, sem o menor pudor. É o milagre da multiplicação do combustível: o dinheiro é público, o carro é privado, e a prestação de contas é... bem, não existe.

Dino foi didático, quase como um professor de jardim de infância explicando que não se pode pegar o brinquedo do colega. Se não tem nota fiscal e é usado em bem particular, não é auxílio, é "salário disfarçado". Um penduricalho de luxo para ajudar a manter o brilho da lataria da frota pessoal do legislativo de Itapetinga.

Decisão do STF obriga Câmara de Itapetinga a cortar cartão combustível dos vereadores

Mas a piada de mau gosto não para no frentista. A investigação do IDenuncias revelou que a Câmara paga R$ 60 mil por ano apenas em taxas para manter o sistema de cartões pré-pago. No mercado, o serviço custaria R$ 10 mil. Ou seja, gastamos R$ 50 mil extras só pela conveniência de dar o presente aos edis. É a eficiência administrativa de Itapetinga em seu estado mais puro: paga-se caro para gastar mal.

Câmara de Itapetinga gasta R$ 60 mil com serviço que custa R$ 10 mil para manter cartão combustível

O relógio está correndo. Os vereadores têm 60 dias para se despedir do frentista amigo. Se continuarem com a farra após o prazo, o risco não é apenas de o carro "engasgar", mas de responderem por crime de responsabilidade.

No dia 25 de fevereiro, o plenário do STF deve carimbar o fim dessa regalia. Até lá, resta aos nossos representantes aproveitar os últimos litros de "cortesia" do contribuinte. Depois disso, terão que enfrentar a mesma realidade do cidadão comum que eles representam: olhar para o painel do carro, ver a luz da reserva acender e sentir aquele aperto no peito, e no bolso.

Que fase, hein, Excelências? Parece que, finalmente, a mamata deu pane seca.

É vida que segue...