Vice-prefeito se recusa a assinar acordo que beneficiaria outras pastas às custas da Educação e entra em rota de colisão com o genro do prefeito, apontado como mentor por trás das decisões polêmicas da gestão.
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| Vice-prefeito de Itapetinga Alécio Chaves (PSB) demonstra incômodo com esquema de contratação milionária para terceirizados em sua pasta da Educação. |
O clima nos corredores da Prefeitura de Itapetinga é de tensão. O vice-prefeito e atual secretário de Educação, Alécio Chaves (PSB), colocou o cargo à prova ao se recusar a endossar um contrato milionário que, segundo ele, desvia o dinheiro destinado às escolas para abastecer outras áreas da administração.
O estopim da crise foi um contrato no valor de R$ 29.910.125,00 para a terceirização de pessoas na Secretaria da Educação.
Embora o dinheiro saia dos cofres da Secretaria de Educação, fontes internas da pasta revelam que a intenção real seria contratar pessoas para atuarem em outras secretarias, uma manobra que o vice-prefeito classificou como “contratação simulada” e se recusou a assinar.
“Se for para cumprir um contrato que aumenta os gastos com pessoal enquanto corta investimentos em reformas e reparos nas escolas públicas, eu entrego o cargo”, teria dito Alécio a interlocutores próximos. A ameaça reflete o medo do gestor de ser responsabilizado por irregularidades, já que, pela legislação, tanto o prefeito quanto o secretário são solidariamente responsáveis pelas contas da pasta.
Nos bastidores, a negativa do secretário causou irritação em um personagem que vem sendo apontado como o verdadeiro operador da gestão do prefeito Eduardo Hagge (MDB): um advogado natural de Vitória da Conquista, que também é genro do prefeito.
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De acordo com informações obtidas por colaboradores do IDenuncias, o advogado conquistense teria alertado o prefeito sobre a resistência de Alécio Chaves. Fontes internas da Prefeitura afirmam que o genro tem sido o “homem de confiança” por trás das decisões mais polêmicas da administração, acumulando poder e já atuando fortemente sobre a Procuradoria do município: a pasta dos advogados da Prefeitura.
O prefeito Eduardo Hagge teria tentado pessoalmente convencer o vice a assinar o contrato, mas também ouviu um “sonoro não”. Agora, a insatisfação do entorno do prefeito é pública. Segundo relatos, o genro já cogita encontrar um novo nome para a Secretaria de Educação, alguém que, nas entrelinhas da política partidária, ou vereança, “cumpra as vontades do advogado sem questionar”.
A situação expõe um novo racha na base aliada já cambaleada. Enquanto Alécio Chaves resiste ao que chama de desvio de finalidade dos recursos da Educação, o grupo ligado ao genro do prefeito trabalha para acelerar a aprovação dos contratados políticos na Educação.
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A frase que circula entre os servidores da Educação resume o clima de apreensão: “Para a raposa do genro dominar e tomar conta do galinheiro, falta muito pouco.” Resta saber se o vice-prefeito conseguirá segurar as portas da pasta ou se será sacrificado em nome dos interesses do núcleo político familiar da administração municipal.

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