Em Itapetinga, porém, o rumo da trama surpreende: amor a Lula supera aversão ao PT, e briga entre os Hagge enterra qualquer influência local, com lulistas em alta.
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| Levantamento interno revela uma Itapetinga cada vez mais lulista. |
Já virou rotina na Bahia: onde o presidente Lula pisa, a maré vermelha sobe. E em Itapetinga, a história não é diferente. Só que, em Itapetinga, a trama tem um rumo inesperado. O eleitor da cidade, em sua maioria, torce o nariz para o PT, mas se derrete por Lula. Resultado? O petista pode amassar o adversário nas urnas, e ainda carregar o governador Jerônimo Rodrigues (PT) num confortável colo até a frente de ACM Neto (União Brasil).
De acordo com uma pesquisa encomendada por lideranças partidárias (e obtida com exclusividade por esta coluna), se o segundo turno fosse hoje entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), o placar em Itapetinga seria de 7 a 3 para o petista. No primeiro turno, a vantagem não cai muito: 6,5 em cada 10 eleitores já declararam voto em Lula. Números de dar inveja a qualquer candidato.
O retrato é claro: o eleitor itapetiguense não é petista de carteirinha, é lulista. E isso muda tudo.
Ascensão de Jerônimo em Itapetinga é duro golpe em bolsonaristas ligados a Rodrigo Hagge
Até pouco tempo, Itapetinga era terra arrasada para ACM Neto. A cidade, de tradição carlista (leia-se: órfã do antigo PFL/DEM de Antônio Carlos Magalhães e Paulo Souto), mantinha o ex-prefeito de Salvador empatado tecnicamente com Jerônimo. Mas agora, com a disparada de Lula, o governador petista descolou.
E o motivo é quase didático: quem vota em Lula para presidente, tende a repetir o voto para o candidato apoiado por ele no estado. Jerônimo, antes colado a ACM Neto nas intenções de voto em Itapetinga, já respira aliviado, e distante.
O levantamento interno para consumo partidário, foi feito por telefone entre os dias 7 e 8 de maio, justamente quando a Polícia Federal revela um esquema de pagamentos de mesada envolvendo um dos chefões do Centrão, Ciro Nogueira (PP), aliado de Flávio Bolsonaro, que teria recebido R$ 500 mil por mês do banqueiro Vorcaro, dono do Banco Master.
Ainda é cedo para cravar se o novo escândalo afetou o humor do eleitor de Itapetinga. Mas um detalhe faz os petistas sorrirem: se as investigações respingarem em ACM Neto (como muitos nos bastidores já dão como certo), a vantagem pode virar goleada.
E tem mais. A pesquisa expõe uma verdade incômoda para os políticos da cidade: o apoio do prefeito Eduardo Hagge (MDB) a Jerônimo e Lula não está movendo um ponto sequer na intenção de voto. Por quê? Simples: o gestor municipal amarga alta rejeição, resultado de uma briga familiar escancarada com o próprio sobrinho, o ex-prefeito Rodrigo Hagge (MDB).
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Enquanto tio e sobrinho trocam farpas, esquecem que campanha eleitoral não espera. E quem surfar na onda vermelha, vai longe. Quem ficar na briga de quintal, vai assistir da janela.
A lição de Itapetinga é clara: na política, personalidade ainda fala mais alto que partido. Lula é a âncora, e Jerônimo só precisa boiar. Já ACM Neto, se não se descolar rápido do bolsonarismo rachado e de escândalos que se avizinham, pode ver a Bahia inteira pintar de vermelho, inclusive cidades que ele um dia chamou de quintal.
E os Hagge? Talvez precisem menos de pesquisa e mais de terapia familiar.

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