Depois de briga com aliados do prefeito, vice Alécio Chaves vê gestão de Eduardo Hagge virar “armadilha de R$ 30 milhões” e TCM pode dar xeque-mate nos dois.
![]() |
| Na imagem: vice-prefeito der Itapetinga Alécio Chaves ( PSB) e o atual prefeito Eduardo Hagge (MDB). |
O ditado popular já dizia: “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Mas, em Itapetinga, parece que a versão atualizada é: “quem usa a secretaria do vice como trampolim, pode acabar despencando junto com ele”.
E o palco dessa quase tragédia política tem nome e endereço: Secretaria Municipal de Educação, comandada, ou melhor, “assombrada” pelo vice-prefeito Alécio Chaves (PSB), que agora vê seu nome enrolado na mesma corda bamba do chefe, o prefeito Eduardo Hagge (MDB).
Tudo por causa de um contrato milionário de quase R$ 30 milhões, ou, seja (R$ 29.910.125,00), para não dizer que a gente não faz conta), com a empresa RG Soluções LTDA. O objetivo?Terceirizar serviços operacionais e administrativos da Educação. Na prática, uma mão de obra gigante que, para muitos, tem cheiro de empreguismo descarado.
Nos bastidores, a história começa com um clássico “desentendimento de casório”: o secretário de Educação (leia-se: o vice-prefeito) e a equipe do prefeito não se bicavam mais.
Prazo vence e TCM pode barrar contrato de terceirização de R$ 30 milhões da Prefeitura de Itapetinga
Resultado: Eduardo Hagge resolveu fazer a mega-contratação sem consultar direito o dono da pasta, que, em caso de malfeitos paga a conta juntos.
O secretário da Educação, Alécio Chaves, ao ver a encrenca se formando, até tentou uma ameaçou de entregar o cargo. Palavra de um interlocutor próximo: o vice dizia que a gestão estava usando o dinheiro da Educação para um contrato que, nas palavras dele, “poderia ferrar Chaves no futuro”.,
Pois o futuro, caro leitor, chegou. E chegou com prazo estourado.
O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) deu prazo até sábado (02/05) para Eduardo e Alécio explicarem as irregularidades no contrato. O processo corre em caráter de urgência (número 10710e26, para os íntimos).
O parecer do Ministério Público de Itapetinga foi cirúrgico: a Prefeitura terceirizou funções permanentes, cargos administrativos e até jurídicos que, por lei, deveriam ser de servidores concursados. Além disso, não apresentou nenhum estudo técnico mostrando que a terceirização sairia mais barata que um concurso.
Ou seja: gasto alto, justificativa baixa.
Agora, a conselheira Aline Peixoto pode, a qualquer momento, assinar uma medida cautelar. Se isso acontecer a partir da segunda-feira, dia 04/05, ou depois: o contrato com a RG Soluções será suspenso, os pagamentos serão travados e a prefeitura ficará proibida de seguir com a farra das terceirizações.
Alécio Chaves ameaça entregar a Educação se for para cumprir contrato de R$ 30 milhões
Na prática: prefeito e vice entram no mesmo pacote de irregularidades. A ironia do destino é tão fina que poderia cortar papel.
Diante do rebu, os auxiliares da gestão correram para jogar panos quentes e acalmar o vice-prefeito. Afinal, perder Alécio Chaves agora seria como tirar a cadeira de um castelo de cartas prestes a desabar.
Mas, convenhamos: não tem pano quente que segure uma liminar do TCM. E o edital de notificação nº 483/2026 foi bem claro: o Tribunal quer evitar o prejuízo público.
Ou seja: o que parecia um contrato fora do padrão, foi virando uma avalanche. E agora, quem prometeu “arrumar a casa” corre o risco de ver a casa cair em cima da própria cabeça, com o vice-prefeito dentro.
Itapetinga assiste, entre perplexa e anotada, ao desfecho do que já é considerada a maior e mais polêmica contratação da atual gestão. Se a liminar sair, o tombo será histórico. Se não sair, a pergunta que fica é: quantas “secretarias-trampolim” ainda vão servir de palco para próximos capítulos?
Porque, convenhamos: colocar o vice em apuros já é feio. Mas cair junto com ele na mesma malha fina, isso é coisa de novela com final feliz só para os conselheiros do TCM.

Social Plugin