O "fantasma" de jaleco branco que assombra o Palácio de Ondina e as heranças benditas (e malditas) de Itapetinga.
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| Ex-prefeito de Itapetinga, por dois mandatos, o médico José Otávio Curvelo (União Brasil). |
Na política, como no premiado filme de Walter Salles, a memória é um território de resistência. Enquanto o Palácio de Ondina tenta rodar um roteiro de "modernização" e apoios estratégicos, o eleitor de Itapetinga parece ter decidido assistir a um clássico. Em uma pesquisa interna recente, daquelas desenhadas para medir a temperatura de governadores e deputados, mas que acabou revelando uma febre local inesperada, o diagnóstico foi claro: o ex-prefeito José Otavio Curvelo, ainda está aqui.
A morte do ex-prefeito de Itapetinga, Michel Hagge não deixou apenas saudades; deixou um abismo. E, como a natureza e a política detestam o vazio, o espaço deixado pelo velho cacique não foi preenchido pelos seus herdeiros diretos, mas sim pelo seu maior rival histórico. É a ironia suprema: no vácuo dos Hagge, ecoa o nome do médico.
Enquanto Eduardo Hagge (MDB), o atual gestor que flerta com o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) em uma manobra de sobrevivência digna de contorcionismo circense, amarga um quarto lugar, José Otavio observa o cenário do topo. O "Doutor" lidera a preferência espontânea, aquela em que o eleitor não precisa de "colinha" ou sugestão; o nome brota do peito, ou talvez, do cansaço.
O "Doutor" aparece surfando no vácuo abissal deixado pela partida de Michel Hagge. É a ironia definitiva da política sertaneja: no deserto de lideranças que se tornou o clã Hagge, quem floresce é o maior adversário histórico da família. José Otavio lidera, deixando para trás a "favorita" da oposição, Cida Moura (PSD), e o ex-prefeito Rodrigo Hagge, e o atual prefeito de Itapetinga que parece ter perdido a bússola no caminho de volta para casa.
Enquanto isso, no gabinete da prefeitura, o clima segundo pesquisa do Palácio de Ondina, deve ser de Titanic. Eduardo Hagge, o atual gestor, amarga um quarto lugar que beira a irrelevância estatística, quase de mãos dadas com o ex-vice-prefeito Renan Pereira (União Brasil). E para piorar, o governador continua atrás de ACM Neto (União Brasil), que cresceu em Itapetinga, saltando acima da margem de erros da pesquisa.
A estratégia de Eduardo é um capítulo à parte na antologia do "surrealismo político": o homem que jurou fidelidade à tradição agora se inclina para o Palácio de Ondina, traído todos aqueles que ajudou chegar lá, tentando desesperadamente carregar os votos de Jerônimo Rodrigues nas costas. O problema? A pesquisa mostra que ele mal consegue carregar o próprio nome na preferência popular. Ondina queria um "puxador de votos"; recebeu um peso morto que precisa de guindaste para subir nas pesquisas.
A margem de 3,2% de José Otavio acima de Cida Moura e os restos do "Haggismo" não é apenas um número; é um sintoma. Itapetinga está mandando um recado. Para quem? Não sabemos.
O certo é, que o IDenuncias havia revelado em reportagem, que o eleitor de Itapetinga está envelhecendo, e com pouca expectativa de renovação com novos eleitores jovens rejeitando a política.
48 mil eleitores e 5,4 mil filiados: o retrato de Itapetinga que envelhece para as eleições de 2026
Resta saber se o União Brasil terá a astúcia de capitalizar esse "fenômeno vintage" ou se vão deixar o Doutor apenas como uma lembrança incômoda em uma planilha de Excel. Por enquanto, o recado está dado: os Hagge estão na sala, Cida está no corredor, mas o eleitor já entrou no consultório de José Otavio que declara não ser mais candidato a prefeito de Itapetinga.
É vida que segue...

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