Voto ‘Distritão’ perde força, entra o ‘Misto’: como ficaria a escolha dos vereadores de Itapetinga em 2028

Proposta em discussão no Congresso prevê que eleitor vote em candidato e em partido; metade das 15 cadeiras seria definida por lista partidária.

Voto ‘Distritão’ perde força, entra o ‘Misto’: como ficaria a escolha dos vereadores de Itapetinga em 2028
Se aprovados pelo Congresso Nacional as mudanças eleitorais, eleitores de Itapetinga terão que votar em prefeito, vereador e partido.

A forma como o morador de Itapetinga escolhe seus representantes na Câmara Municipal pode passar por uma verdadeira revolução nas eleições de 2028. A discussão que ganha corpo no Congresso Nacional indica que o antigo modelo do voto “Distritão” perdeu força para dar lugar ao chamado “Distrital Misto”.

No modelo do Distritão, a conta seria simples: os 15 candidatos a vereador mais votados nas urnas de Itapetinga garantiriam, automaticamente, as 15 cadeiras da Câmara Municipal.

Itapetinga: o que mudaria se o voto ‘Distritão’ fosse aplicado na eleição a vereador de 2024? 

No entanto, as articulações em Brasília lideradas principalmente pelo Centrão constataram que esse formato tiraria o poder das siglas partidárias. Afinal, no Distritão, a escolha ficaria focada exclusivamente no nome e na popularidade do candidato, deixando as legendas em segundo plano. Após consultas internas, a ideia perdeu espaço.

Como funciona o voto “Distrital Misto”?
Se aprovada por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, a nova regra mudará radicalmente o peso do voto popular:

8 vereadores (voto direto): Escolhidos diretamente pela população de Itapetinga, elegendo os mais votados nas urnas.

7 vereadores (lista partidária): Escolhidos por meio de uma lista fechada definida previamente pelas convenções dos partidos. Nela, o eleitor vota na legenda e os primeiros nomes indicados pelo partido garantem a vaga.

Na prática, o eleitor de Itapetinga perderia parte do seu poder de decisão individual. Além disso, as vagas de lista dependerão do cálculo do coeficiente partidário, beneficiando legendas fortes em cenários de eleições municipais polarizadas.

Os impactos do modelo Misto em Itapetinga
A eventual adoção do sistema Distrital Misto trará consequências diretas para a política local:

Confusão na hora de votar
A mudança adicionará mais uma etapa na urna eletrônica. O eleitor, que tradicionalmente vota para Prefeito e Vereador, precisará dar três votos: um para prefeito, um para o candidato individual a vereador e outro na legenda do partido.

Menos candidatos nas ruas
No pleito de 2024, Itapetinga registrou quase 200 candidaturas ao cargo de vereador. Caso a nova regra seja aprovada a tempo, esse número deve cair para menos da metade. Como o preenchimento de vagas por coeficiente eleitoral tradicional deixará de existir, modelo que permitia eleger candidatos com 270 ou 570 votos puxados pela legenda, não haverá mais sentido em lançar candidaturas apenas para "compor chapa".

Mudança nas alianças para Prefeito
Para atrair votos para a lista partidária, as legendas locais serão praticamente obrigadas a lançar candidatos próprios a prefeito, mesmo aqueles sem chances reais de vitória. O objetivo será usar a campanha majoritária como "puxadora de votos" para o partido, o que dificultará a formação de grandes coligações a prefeitos em Itapetinga.

Vantagem para quem já tem mandato
O modelo misto tende a favorecer amplamente os atuais vereadores com mandato, que já contam com estrutura de apoiadores, visibilidade e recursos financeiros consolidados na cidade.