É unânime afirmar: ‘prefeito Eduardo é o camisa 10 de Rodrigo Hagge na eleição’

Em família, o favoritismo é inverso: tio desmonta herança política do pai, humilha aliados históricos e presenteia sobrinho com um exército de cabos eleitorais de presente.

É unânime afirmar: prefeito Eduardo é o camisa 10 de Rodrigo Hagge na eleição
Imagem gerada por AI (Midjourney): não reflete a realidade, o prefeito Eduardo Hagge não está apoiando Rodrigo Hagge, mas suas ações têm favorecido a candidatura do sobrinho. Hoje, rival.

Parece que em Itapetinga o futebol político tem um camisa 10 atípico: não é quem faz o gol, mas quem entrega a bola na área do adversário. E, pasmem, o maior “garçom” da campanha do ex-prefeito Rodrigo Hagge (sem legenda) à Assembleia da Bahia é ninguém menos que seu tio, o prefeito Eduardo Hagge (MDB).

A jogada de mestre começou quando Eduardo resolveu desmontar, com a delicadeza de um trator, o grupo político construído pelo próprio pai, o falecido Michel Hagge. Os “gabirabas”, como eram conhecidos os aliados históricos da família responsáveis por cinco gestões municipais no comando da cidade, foram tratados a tapas e humilhações. Na véspera do Natal, ganharam de presente demissões em massa. E, como se não bastasse, receberam um ultimato surreal: escolham um lado na briga familiar entre tio e sobrinho se quiserem voltar aos cargos.

Resultado? A massa de gabirabas, desprezada pelo sobrinho do patrão original, migrou em peso para os braços de Rodrigo Hagge. O ex-prefeito, agora candidato a deputado estadual, ganhou de graça um exército treinado, entrosado e com raiva de Eduardo. Presentão.

Mas o prefeito não para de ajudar. Enquanto isso, monta seu próprio time com um critério… digamos, peculiar. Dispensa políticos com votação forte e abre os braços para aliados fracassados nas urnas, muitos vindos da oposição, agora “governistas” por conveniência de cargos. A dúvida que paira: será que essa turma tem mesmo votos para oferecer? Ou é só peso na conta de R$ 30 milhões em contratações terceirizadas que já geraram polêmica em toda Bahia?

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Para completar o serviço, Rodrigo ainda fechou uma aliança com a líder opositora Cida Moura (PSD), que deve ser anunciada em março, depois do Carnaval. Enquanto isso, a gestão municipal segue firme como uma fábrica de desgaste político, alimentando diariamente as fileiras da oposição.

No fim das contas, a conta é simples: Eduardo desfez o que o pai fez, afastou quem tinha voto, humilhou quem era leal e ainda presenteou o sobrinho com uma base militante pronta para a campanha. Se o objetivo era ser o camisa 10 do time adversário, estamos diante de um gênio tático. Se era fortalecer sua própria base… bem, aí a história já virou ironia.