Enquanto a cidade espera por obras, a Prefeitura de Eduardo Hagge prefere pavimentar o caminho eleitoral com R$ 30 milhões em cabides de emprego.
![]() |
| Contrato de R$ 30 milhões para terceirização de emprego na Prefeitura de Itapetinga derruba argumento do prefeito que seu antecessor só deixou dívidas que a cidade ficou ingovernável. |
Dizem que o tempo é o senhor da razão, mas em Itapetinga, o tempo parece ser o senhor da conveniência. Até o apagar das luzes de 2025, o discurso do prefeito Eduardo Hagge era um só: um lamento profundo sobre a "terra arrasada" deixada por seu sobrinho e antecessor, Rodrigo Hagge. A herança maldita, diziam, era composta por dívidas impagáveis e uma prefeitura ingovernável.
Pois bem, bastou o calendário virar para 2026 que o milagre aconteceu. A "escassez" deu lugar a uma fartura digna de pasto em tempo de chuva. Como num passe de mágica, a prefeitura descobriu um baú de R$ 30 milhões. Mas não se engane: esse dinheiro não vai para o asfalto que falta na sua rua ou para a saúde que capenga. O destino é a contratação de empresas terceirizadas para abrigar aliados políticos indicados por vereadores e lideranças.
Prefeito de Itapetinga assina mega contrato de R$ 30 milhões para terceirização de contratações políticas
A "choradeira" de Eduardo Hagge, que servia como escudo para a paralisia administrativa, caiu por terra. O argumento da crise financeira evaporou no exato momento em que ele decidiu priorizar o empreguismo.
É curioso observar a escala de prioridades dessa gestão. No passado, criticou-se, com razão, um contrato de R$ 25 milhões para a troca da iluminação pública por LED. Era questionável? Sim. Mas, ao menos, havia a promessa de uma lâmpada acesa na rua e economia de energia. Agora, Eduardo gasta R$ 30 milhões apenas para "azeitar" a engrenagem política, garantindo o conforto de quem o apoia em vez de investir na qualidade de vida do itapetinguense.
A verdade é que esse enredo já era conhecido nos bastidores. O prefeito sempre soube do tamanho do buraco deixado pelo sobrinho. Afinal, a máquina pública foi usada até o limite para garantir que o tio vencesse a disputa contra Cida Moura (PSD), que liderava as pesquisas. O próprio Rodrigo Hagge, em tom de bravata, já se gabou de ter "virado" o jogo na última semana das eleições.
Itapetinga: Saúde? porra nenhuma! contrato de R$ 30 milhões é para bancar indicado de vereador
Ou seja: a dívida que agora o prefeito usa como desculpa foi o combustível que o colocou na cadeira onde senta hoje.
Agora, o teatro acabou. Eduardo Hagge perdeu o direito de reclamar da herança do sobrinho. Quem gasta R$ 30 milhões com cargos de confiança não pode dizer que falta dinheiro para o povo. A máscara da "terra arrasada" caiu, revelando o que realmente importa para essa gestão: manter o poder a qualquer custo, enquanto a cidade assiste, do escuro, o banquete dos aliados.

Social Plugin