Bastidores da Câmara de Itapetinga viram palco de ameaças por contrato de R$ 45 mil considerado "tenebroso" e sem serviço prestado.
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| Presidente da Câmara de Itapetinga, Neto Ferraz (PDT), está sob forte pressão para renovar contrato fantasma. |
Os bastidores da política de Itapetinga têm se assemelhado a um verdadeiro cabaré de pressões e ameaças. O tom não é mais de lembranças ou acordos cordiais, mas de cobranças agressivas por promessas feitas nos bastidores do poder. No centro do furacão está o atual presidente da Câmara Municipal, Neto Ferraz (PDT).
Neto Ferraz assumiu a presidência após o afastamento prolongado do titular, Luciano Almeida (MDB), que preferiu ocupar o cargo de secretário municipal de Infraestrutura. Agora, na cadeira principal do Legislativo, Neto se vê sob forte pressão para reeditar um contrato considerado "tenebroso" por aliados: um acordo de R$ 38 mil com a empresa A Z Work Center Escritório Virtual Ltda, de propriedade do presidente do Democracia Cristã (DC), Gildásio Queiroz.
Fontes internas do Legislativo garantem que os serviços supostamente contratados jamais foram prestados. O contrato era vigente durante a gestão de Luciano Almeida, mas Neto Ferraz, à frente da gestão 2026 até 31 de dezembro, após o fim, decidiu não renová-lo.
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A decisão causou revolta. O primeiro-secretário da Casa, vereador Tiquinho Ferraz (PSD), cobrou internamente o "cumprimento de um acordo" fechado ainda por Luciano Almeida. No entanto, Neto Ferraz, segundo pessoas próximas, se recusa a aceitar um contrato que considera fictício, temendo se "queimar com o eleitorado".
A pressão subiu de tom. Gildásio Queiroz, presidente do DC, não se conteve e foi além das paredes do parlamento. Ele foi se queixar ao prefeito Eduardo Hagge (MDB), exigindo que o chefe do Executivo obrigue Neto Ferraz a cumprir o que foi combinado em sua residência. O acordo, segundo Queiroz, foi selado em sua própria casa durante os preparativos para a eleição da Mesa Diretora que levou Luciano Almeida à presidência, eleição na qual Neto Ferraz foi eleito vice e, portanto, estava presente.
Interlocutores de Queiroz acusam Neto de "ingratidão" por resistir a renovar o que o Parlamento enxerga como um contrato fantasma. Ameaças diretas entraram em cena: "Ele vai cair", teria dito Queiroz, referindo-se ao presidente da Câmara, caso o contrato não seja assinado. A ameça faz sentido na medida que se aprofunda na legislação interna Casa que aponta, que o afastamento de Luciano Almeida, deixou a presidência vaga, que, na prática, exigiria nova eleição para presidente da Câmara de Itapetinga.
O valor em discussão, segundo apurado, pode ter sido até reajustado para R$ 45 mil, em um contrato que dispensaria licitação. Fontes indicam que o prefeito Eduardo Hagge (MDB) se comprometeu a convencer Neto Ferraz antes do retorno dos trabalhos legislativos, marcado para 15 de fevereiro.
Enquanto isso, Neto Ferraz se mantém em silêncio público, resistindo às investidas. Sua esperança, segundo seu círculo íntimo, é que nem o prefeito Eduardo Hagge, nem o vereador Tiquinho Nogueira (PSD) consigam impor à sua gestão um contrato que ele julga indevido. O cabo-de-guerra expõe as entranhas de uma política onde a ameaça substitui o diálogo, e a pressão por contratos questionáveis fala mais alto que o interesse público.

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