O 'Tiozão' e o cofre fantasma: Eduardo Hagge economiza R$ 20 milhões enquanto sua gestão colapsa

Entre ataques ao sobrinho e dívidas com o lixo, o prefeito de Itapetinga descobre a fórmula mágica de guardar dinheiro enquanto a saúde agoniza.

O 'Tiozão' e o cofre fantasma: Eduardo Hagge economiza R$ 20 milhões enquanto sua gestão colapsa
Prefeito de Itapetinga afirmar ter milhões em caixa, em meio as cobranças de credores que não conseguem receber da Prefeitura.

Se tem uma coisa que o prefeito Eduardo Hagge (MDB) provou na abertura dos trabalhos da Câmara de Vereadores, é que a árvore genealógica da política de Itapetinga dá frutos amargos e muita "DR" [Discussão da Relação] em público. Em um discurso de 30 minutos que mais parecia um desabafo de terapia familiar do que uma prestação de contas, o "Tiozão" resolveu lavar a roupa suja do clã Hagge em plena tribuna.

O alvo? O sobrinho e ex-prefeito Rodrigo Hagge. O tom? De "herança maldita". Para Eduardo, o sobrinho não deixou apenas uma cadeira, mas um rastro de dívidas milionárias. O problema é que, na pressa de chutar a escada de quem o ajudou a subir, o atual prefeito acabou tropeçando nos próprios números.

Enquanto a Central de Marcação de Exames (CDM) respira por aparelhos e os prestadores de serviço da gestão vivem o drama do contracheque vazio por falta de pagamentos, Eduardo Hagge soltou a pérola: teria economizado R$ 20 milhões em um ano de administração.

A declaração caiu como uma bomba, e não do jeito que ele esperava. A pergunta que ecoa nas redes sociais de Itapetinga é simples: se o dinheiro está sobrando no cofre, por que o lixo está por um fio? A empresa Torre Construções Ltda já veio a público dizer que a Prefeitura não está honrando os pagamentos. Parece que a "economia" do prefeito é, na verdade, a arte de não pagar quem trabalha.

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A estratégia de marketing de Eduardo não assustou apenas a oposição; deixou os aliados de cabelo em pé. Afinal, ostentar uma conta bancária recheada enquanto o serviço público colapsa é dar munição de calibre pesado para os adversários.

Para completar o cenário de "gestão eficiente", o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) entrou na jogada. O prefeito agora precisa explicar ao órgão por que anda comprando material de construção sem o "detalhe" da licitação. Pelo visto, a economia de R$ 20 milhões não incluiu o investimento em transparência.

No campo político, o clima é de velório para o tradicional grupo "Gabiraba". Antigos aliados agora usam palavras pesadas como "traidor". O crime de Eduardo? Ter trocado os companheiros de primeira hora por antigos opositores, que hoje ocupam os melhores cargos na prefeitura.

Ao atacar Rodrigo Hagge, o Tiozão não apenas rachou a família, mas implodiu a base que o elegeu. Hoje, Eduardo Hagge parece um capitão tentando vender um cruzeiro de luxo enquanto o navio está inundado, a tripulação está em greve e ele próprio está expulsando os botes salva-vidas.

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Resta saber se, até o final do mandato, esses R$ 20 milhões "guardados" serão suficientes para pagar o preço político de governar de costas para o povo e para os próprios aliados.

É cofre cheio e vazio, é vida que segue...