Em meio a guerra familiar e aliança poderosa, ex-prefeito de Itapetinga joga xadrez político em busca de uma vaga na ALBA; relógio contra ele marca até 6 de abril para escolher o partido perfeito.
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| Ex-prefeito de Itapetinga Rodrigo Hagge, terá que apostar em uma legenda de baixa concorrência a deputado estadual. |
O calendário eleitoral é implacável, e para Rodrigo Hagge, o dia 6 de abril não é apenas uma data no papel; é o dia que pode definir o fim de um sonho ou o início de uma nova era na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O ex-prefeito de Itapetinga caminha sobre uma corda bamba onde qualquer deslize na escolha da legenda pode custar caro, e o preço, todos sabem, é a derrota nas urnas.
Na política baiana, nem sempre quem tem mais votos leva a cadeira. O drama de Rodrigo reside na matemática das legendas. Para se ter uma ideia do abismo, em 2022, nomes como Pancadinha e Luciano Araújo (Solidariedade) garantiram seus assentos com pouco mais de 27 mil e 28 mil votos, respectivamente.
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Por outro lado, se Rodrigo insistir em permanecer no MDB, a régua sobe drasticamente. Para vencer no partido hoje, ele precisaria espelhar o sucesso de Matheus de Geraldo Júnior, que precisou de mais de 60 mil votos para se eleger. O histórico é assustador: candidatos com 55 mil votos já ficaram de fora da ALBA simplesmente porque escolheram o "partido" errado para se candidatar.
Se por um lado a matemática assusta, a articulação política de Rodrigo impressiona pela astúcia. Ele conseguiu o que muitos consideravam impossível: uma aliança poderosa com Cida Moura (PSD), líder da oposição, e uma "dobradinha" estratégica com o deputado federal Antônio Brito (PSD).
Mas nem tudo são flores no clã Hagge. O tempero dramático dessa disputa vem de dentro de casa. Rodrigo terá que enfrentar a resistência do próprio tio e atual prefeito, Eduardo Hagge (MDB). Rumores indicam que o tio pode usar o peso da máquina pública para conspirar contra o sobrinho. É o clássico roteiro de tragédia familiar onde o poder fala mais alto que o sangue.
Como se não bastasse o conflito doméstico, Rodrigo Hagge precisa resolver um dilema ideológico. Em uma Bahia onde o PT domina há mais de duas décadas e a força de Lula é esmagadora, ex-prefeito terá que "pisar em ovos".
Hoje, sua base de apoio na aliança é majoritariamente lulista, mas sua ligação histórica com o grupo de ACM Neto pode ser o estopim de uma rejeição fatal. Se não souber dosar o discurso e neutralizar a resistência dos eleitores lulistas, o ex-prefeito verá sua votação "explosiva" em Itapetinga minguar diante da polarização nacional.
Para Rodrigo, a conta é clara: ele precisa sair de Itapetinga com mais de 20 mil votos e buscar o restante na região. Mas, antes de conquistar o eleitor, ele precisa conquistar o partido certo. Sem uma legenda que o proteja, todo o seu esforço de articulação será como construir um castelo na areia.
Nada será fácil. O jogo começou, e a primeira jogada de mestre, ou o erro fatal, deve acontecer até o dia 6 de abril.

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