Folha de pagamento supera arrecadação e contratos milionários ampliam pressão sobre contas do prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge, nos dois primeiros meses.
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| Imagem da Prefeitura Municipal de Itapetinga no sudeste baiano. |
A Prefeitura de Itapetinga iniciou o ano de 2026 com um cenário fiscal que acende sinal de alerta. Dados do Relatório Resumido da Execução Orçamentária, publicado no Diário Oficial, no dia 26/03/2026, indicam que, já no primeiro bimestre [dois meses], os gastos com pessoal superaram a arrecadação do município.
De acordo com o relatório, foram empenhados R$ 73,3 milhões com despesas de pessoal nos dois primeiros meses do ano, enquanto a arrecadação no mesmo período foi de R$ 57,9 milhões. O descompasso entre receita e despesa aponta para uma pressão inicial sobre o orçamento municipal.
Especialistas avaliam que esse tipo de situação, logo no início do exercício financeiro, pode comprometer o equilíbrio das contas públicas, exigindo maior controle ao longo dos meses seguintes.
Além da folha de pagamento direta, outro fator contribui para o aumento das despesas: a contratação de serviços terceirizados. A Prefeitura firmou contratos que somam cerca de R$ 40 milhões para fornecimento de mão de obra, sendo mais de R$ 29 milhões destinados à Secretaria Municipal de Educação.
Alécio Chaves ameaça entregar a Educação se for para cumprir contrato de R$ 30 milhões
Embora contabilizados de forma distinta, esses contratos também estão relacionados à manutenção de pessoal e tendem a representar custos mais elevados, devido à inclusão de encargos e taxas administrativas.
O tema, inclusive, teria gerado divergências dentro da própria gestão. O secretário de Educação e vice-prefeito, Alécio Chaves, teria demonstrado resistência à execução do contrato da pasta, diante do impacto financeiro, chegando a cogitar deixar o cargo.
O município é administrado pelo prefeito Eduardo Hagge, e o aumento dos gastos ocorre em um ano eleitoral, o que amplia a atenção sobre a evolução das despesas públicas, especialmente aquelas relacionadas à estrutura administrativa.
Com o crescimento dos gastos com pessoal, a tendência é de redução na capacidade de investimento do município, afetando áreas como infraestrutura e serviços públicos.
Apesar do cenário, a administração ainda se mantém dentro dos limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. No entanto, especialistas alertam que o ritmo de crescimento das despesas exige acompanhamento contínuo para evitar desequilíbrios ao longo do ano.
O início de 2026, portanto, revela um quadro de atenção para as finanças municipais, marcado pelo aumento das despesas com pessoal, ampliação de contratos e necessidade de maior controle orçamentário.
O Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) costuma passar a mão nas cabeças dos prefeitos em início de primeiro ano de governo, mas não perdoa erros de segundo ano de governo municipal, onde acontecem os maiores índices de rejeição de contas públicas pelo Corte de Contas baiana.

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