O silêncio ensurdecedor dos velhos aliados pesa mais que um comício lotado, e o prefeito corre o risco de provar do próprio veneno dentro da sua própria gestão.
![]() |
| Convenção do MDB na corrida a prefeito de Itapetinga. |
Faltando apenas uma semana para a eleição, o cenário político parece saído de um roteiro de dramalhão com direito a traição familiar, silêncio estratégico e muita fossa política. O grupo político mais antigo da Bahia em atividade, os famosos Gabirabas, tomou o mais puro "chá de sumiço" das ruas. Cadê o povo que costumava lotar praça e fazer barulho? Sumiram. E esse recolhimento súbito tem tirado o sono do prefeito Eduardo Hagge (MDB), o Tiozão.
Afinal, estamos falando de quem elegeu e reelegeu o Clã Hagge por seis eleições intercaladas. Mas, após sentar na cadeira de prefeito, o "Tiozão" parece ter decidido que gratidão é artigo de luxo: escanteou o grupo histórico de quatro décadas. Um duro golpe sentido bem no coração da Casa dos Hagge, vindo justamente de onde eles menos esperavam.
Como Eduardo Hagge permitiu que aliados apoiassem outros deputados, e não os dele?
Agora, aliados do próprio prefeito acendem o sinal amarelo e alertam: o temor de vingança é real. O grupo, acostumado a dar as caras nas ruas, adotou a tática do "cala a boca e vota". A leitura nos bastidores é dramática: tem alguns gabirabas batendo continência para o prefeito de dia, mas com o dedo coçando para votar nos candidatos do sobrinho e ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB) considerado pelos aliados como mais um "traído" pelo atual gestor municipal.
Para piorar o enredo dessa novela de 40 capítulos, o próprio Eduardo abriu a porteira e liberou geral. Deixou secretários e o segundo escalão apoiarem quem quiser, espalhando os votos do prefeito por aí como se fossem confetes de carnaval.
O problema é que a votação desses candidatos será o termômetro exato da força de Eduardo Hagge para a sua tentativa de reeleição daqui a dois anos. Se a vingança dos Gabirabas vier a cavalo pelas urnas, inclusive dentro da própria Prefeitura, o Tiozão sairá politicamente enfraquecido, com o carimbo de "traidor" na testa e vendo o sobrinho Rodrigo recolher os cacos e abraçar uma máquina de votos novinha em folha.
No fim das contas, a semana promete ser longa, e o café amargo do arrependimento já começou a ser servido no gabinete.
É vida que segue...
.jpg)
Social Plugin