Itapetinga: vitória de Lula não garante virada de Eduardo Hagge, mas obriga Rodrigo Hagge a descer do salto alto

Entre o “chinelo da humildade”, o salto alto e a piada nas redes, a política de Itapetinga prova que quem ri por último não apenas ri melhor, como ri com mandato na mão.

Itapetinga: vitória de Lula não garante virada de Eduardo Hagge, mas obriga Rodrigo Hagge a descer do salto alto
Vitórias de candidatos do ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB) urnas de Itapetinga, não dá o direito do já ganhou em 2028.  

Passados seis dias da consagrada vitória de Lula numa virada épica de segundo turno que garantiu ao petista mais quatro anos no Planalto, o clima nos bastidores da política de Itapetinga é daquele tipo: “muita calma nessa hora”.

Depois que as urnas locais confirmaram a liderança do ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB) sobre o próprio tio, o atual prefeito Eduardo Hagge (MDB), o entusiasmo dos apoiadores do sobrinho precisou puxar o freio de mão. Rodrigo até garantiu a hegemonia no primeiro turno ao impor uma sequência de derrotas aos candidatos do "Tiozão", mas a rodada final das eleições acendeu o sinal de alerta para 2028.

O troféu não é de Eduardo Hagge: Itapetinga virou lulista pela onda nacional anti-bolsonarista 

A vitória no primeiro turno não apaga o feito de Rodrigo Hagge, mas a matemática do segundo turno foi um balde de água fria nos mais afoitos. O ex-prefeito foi obrigado a descer do salto alto e calçar o velho "chinelo da humildade" se quiser manter o sonho de arrancar da cadeira o tio que ele próprio ajudou a eleger em 2024.

O motivo? A tão falada fidelidade do eleitorado. Rodrigo contou com o peso histórico do grupo gabiraba, fundado por seu avô, o falecido Michel Hagge. Contudo, tentar convencer a base do clã a votar em massa contra Lula se provou uma missão quase impossível. Afinal, grande parte dessa mesma militância é beneficiária direta dos programas sociais do Governo Federal.

E no detalhe das urnas, o recado foi claro:

Enquanto o “bloquinho do 22”, apoiado por Rodrigo, penou para somar pouco mais de 700 votos a mais para Flávio Bolsonaro no segundo turno; Lula bateu na trave na cidade e quase superou a barreira dos 5 mil votos a mais em relação à primeira etapa do pleito.

Sempre atento, o "Tiozão" Eduardo Hagge não perdeu tempo. Foi para as redes sociais em tom de forra tirar uma casquinha do sobrinho e ironizar a aparente desidratação do bolsonarismo local. A vitória de Lula em Itapetinga pode até não entrar 50% na conta de Eduardo, mas o saldo geral do prefeito ficou bem melhor do que a encomenda.

No tabuleiro estadual e nacional, Eduardo Hagge acabou saindo por cima da carne seca:

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) garantiu a reeleição ao atropelar ACM Neto com 1 milhão de votos de vantagem no estado.

Rui Costa e Jaques Wagner (ambos do PT), mesmo após apanharem nas urnas de Itapetinga, abocanharam as duas vagas ao Senado pela Bahia.

O presidente Lula sacramentou sua virada histórica no cenário nacional sobre o filhote de Jair Bolsonaro, o Flávio.

No fim das contas, Rodrigo Hagge até levou a melhor nas urnas da cidade, mas no quadro geral da política baiana e nacional, foi o Tiozão quem comemorou de camarote. O enredo prova mais uma vez a máxima do povo: quem ri por último, ri muito melhor e de preferência com a chave da prefeitura no bolso.

É vida que segue...