O salto de Rodrigo Hagge: coragem ou risco calculado no ‘ninho’ do PSDB a deputado?

Com a saída do MDB, ex-prefeito de Itapetinga enfrenta o desafio de uma legenda "pesada" e a necessidade de uma votação explosiva em seu próprio terreno lulista.

O salto de Rodrigo Hagge: coragem ou risco calculado no ‘ninho’ do PSDB a deputado?

A política, como dizem os antigos, é a arte de escolher o momento certo para mudar de calçada. O ex-prefeito de Itapetinga, Rodrigo Hagge, acaba de fazer sua travessia ao trocar o MDB pelo PSDB. A meta é clara: uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). No entanto, ao olhar pelo retrovisor das eleições de 2022, os números mostram que o "ninho tucano" na Bahia é um lugar de voos altos, mas de quedas dolorosas para quem não atinge o topo.

Para entender o tamanho do desafio de Rodrigo Hagge, basta olhar para o que aconteceu em 2022. O PSDB elegeu três deputados estaduais, mas a disputa interna foi uma verdadeira "carnificina" eleitoral. O exemplo mais emblemático é o do então deputado estadual Paulo Câmara: mesmo conquistando impressionantes 53.680 votos, ele ficou de fora, perdendo a vaga para o novato Pablo Roberto por uma diferença mínima de menos de 2 mil votos.

Isso prova que, no PSDB, ter uma votação expressiva não é garantia de posse. O partido teve quatro candidatos acima dos 50 mil votos, criando um sarrafo altíssimo. Para Rodrigo, o recado é direto: não basta ser bem votado; é preciso estar entre os "gigantes" da legenda, ou o risco de se tornar um suplente de luxo é real.

Rodrigo Hagge terá que acertar no partido se quiser se eleger deputado estadual 

O cálculo para o ex-prefeito de Itapetinga é matemático e político. Para sobreviver à concorrência interna do partido, ele precisará de uma votação "explosiva" em sua base, nesse caso, Itapetinga. Colunistas do IDenuncias apontam que ele precisa extrair, no mínimo, 25 mil votos apenas de Itapetinga.

Mas aqui mora o perigo. Itapetinga, assim como boa parte da Bahia, respira o cenário "Lulista". O governador Jerônimo Rodrigues (PT) demonstra força e pode ampliar sua votação no município ao ponto de vencer na casa do ex-prefeito, o que coloca Rodrigo em uma situação delicada.

Para alcançar essa meta audaciosa, o ex-prefeito de Itapetinga terá que exercer uma diplomacia de mestre. Ele precisará: evitar a polarização e se entrar na guerra "Esquerda vs. Direita", corre o risco de afugentar eleitores moderados e lulistas que simpatizam com seu nome. 

Já na terra natal, a estratégia terá que ser o "voto por Itapetinga", tentando convencer o eleitor de que a cidade precisa de um representante próprio na ALBA, independentemente da cor da bandeira partidária.

Rodrigo Hagge trocou o desconforto do MDB de Geddel, pela competitividade feroz do PSDB, ou seja: “seis por meia dúzia”, se caso, o quadro de candidatos se mantiver quase idêntico à eleição passada, a tarefa de chegar lá será como matar um leão por dia.

Rodrigo, tem o "recall" populista de sua gestão polêmica e mantém enorme carisma popular, mas os dados de 2022 são um alerta frio: no PSDB, 50 mil votos podem ser pouco. Em outubro, saberemos se a estratégia de "pisar em ovos" em uma Bahia petista terá força suficiente para quebrar a casca e garantir sua vaga no Legislativo.