Decisões erráticas, racha e ruptura no clã: prefeito Eduardo Hagge termina 2025 sem rumo para 2026

De aliado a pária: como uma sucessão de tropeços pessoais e políticos isolou o chefe do executivo e ameaça seu futuro.

Prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB) termina o ano de 2025, em crise com sua própria base que o elegeu.

O primeiro ano de gestão do prefeito Eduardo Hagge (MDB) em Itapetinga foi uma desconcertante trajetória de autossabotagem e perda de rumo. O político que chegou ao poder com uma base sólida termina 2025 politicamente isolado, com a família dividida e sem um caminho claro para a eleição de 2026, que servirá como termômetro para sua tentativa de reeleição em 2028.

A crise teve início ainda antes da posse, com uma manobra que muitos consideraram um tiro no pé. Eduardo Hagge rompeu com seu sobrinho e mentor da campanha, o ex-prefeito Rodrigo Hagge, e começou a se aproximar de adversários eleitorais. A estratégia, vista como uma tentativa de ampliar sua força, teve efeito reverso: ao abrir espaço no governo para ex-opositores, o prefeito abandonou os aliados históricos da família, o grupo político "gabiraba", criado por seu pai, o falecido ex-prefeito Michel Hagge.

Expurgo e traição
O movimento de afastar os "gabirabas" da administração foi visto como uma campanha de expurgo. O resultado foi o fortalecimento do ex-prefeito Rodrigo Hagge, que acolheu o grupo e passou a acusar publicamente o tio de "traidor do clã Hagge". A base que elegeu Eduardo se tornou, em grande parte, oposição.

Em 2026, aliança Cida/Rodrigo será uma batalha de três grupos contra o do prefeito 'Tiozão' 

O prefeito também acirrou ânimos dentro de seu próprio partido, o MDB, ao interferir na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal. Ele apoiou uma chapa mista com opositores, em detrimento de uma composta majoritariamente por vereadores emedebistas, gerando desconfiança e conflito com sua base aliada no Legislativo.

Crise pessoal vira crise política
A vida pessoal do prefeito invadiu a esfera pública de forma dramática. A decisão errática de nomear a própria esposa, Zeze Hagge, para a Secretaria de Ação Social, culminou em um vexame. A ex-primeira-dama envolveu-se em um caso extraconjugal com um servidor público que ela mesma havia contratado, fato que viralizou nas redes sociais e levou à separação do casal.

Após o episódio, aliados relatam que o prefeito "perdeu o rumo" e passou a enxergar inimigos por todos os lados, inclusive dentro do próprio governo. A paranoia chegou à Secretaria de Administração, onde servidores foram proibidos de entrar com celulares e uma empresa foi contratada para supostamente monitorar computadores e redes sociais dos funcionários, sindicato ameaçou denunciar o caso, ao Ministério Público de Itapetinga.

Isolamento e nova aliança oposicionista
A "caça às bruxas" se estendeu a vereadores do MDB, pressionado por novos aliados vindos da oposição. Esses parlamentares, por sua vez, tornaram-se cabos eleitorais do ex-prefeito Rodrigo Hagge, que já articula sua candidatura a deputado estadual. A irritação de Eduardo Hagge foi tanta que ele demitiu em massa todos os indicados por vereadores, tratando o assunto como "coisas pequenas".

O isolamento político do prefeito se tornou tão visível que impulsionou uma poderosa aliança entre seu principal desafeto, Rodrigo Hagge, e a líder da oposição, Cida Moura (PSD). Nos bastidores, avalia-se que essa parceria, vinculada a outra dobradinha com o grupo do deputado federal António Brito (PSD) em Itapetinga, pode forçar Eduardo a repensar seus planos eleitorais de reeleição.

Para tentar conter o sobrinho, Eduardo apostou em apoiar a candidatura do deputado federal Jayme Vieira Lima (MDB) e de outros estaduais. No entanto, sem o grupo "gabiraba", seu poder de fogo diminuiu drasticamente.

Fim de ano sem perspectivas
Assim, Eduardo Hagge encerra 2025 cercado de incertezas. As rachaduras políticas criadas neste primeiro ano de governo são profundas e ameaçam não apenas seus projetos para 2026, mas toda a estabilidade de sua administração. O prefeito que começou o ano no comando, termina lutando contra fantasmas de sua própria criação, enquanto vê sua base de apoio se transformar no núcleo de uma oposição fortalecida e familiar.