A perigosa decisão do prefeito Eduardo Hagge se apropriar do bom do emprego em Itapetinga

Prefeito de Itapetinga aposta no bom índices de emprego gerado em 2025, para sair das cordas, após decisões políticas desastrosas.

A perigosa decisão do prefeito Eduardo Hagge se apropriar do bom do emprego em Itapetinga
Prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB) tenta surfa na onda do emprego no governo Lula.

Se depender do prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB), a geração de empregos na cidade é obra exclusiva de sua gestão municipal. Parece que o gestor descobriu uma fórmula secreta que nem o Ministério do Trabalho conhece: pegar dados federais, abraçar os positivos e ignorar que o emprego com carteira assinada no Brasil depende muito mais das políticas do governo Lula (PT) e dos humores do Banco Central do que de qualquer discurso político local.

Em 2025, Itapetinga teve, de fato, um saldo anual positivo: 1.723 novas vagas com carteira assinada, o melhor em cinco anos. Um número que, não surpreendentemente, foi abraçado com entusiasmo pela administração municipal como se fosse um troféu conquistado após intensa batalha local.

Só que os dados têm um pequeno, ou enorme detalhe: os dois últimos meses do ano foram de queda livre. Em novembro, foram 41 vagas fechadas. Em dezembro, pior: 247 postos de trabalho a menos, puxados principalmente pela indústria, setor que costuma ser o coração da economia local. Ou seja, enquanto o prefeito Eduardo comemora o acumulado do ano, a população sente o aperto do fim do ano e do começo de 2026.

A justificativa para a desaceleração não é mistério: as altas taxas de juros de 15% do Banco Central frearam o consumo e os investimentos em todo o país. Algo que, claramente, foge à alçada de qualquer prefeito. Mas, na narrativa política conveniente, isso é detalhe. O que importa é vincular a imagem do gestor aos números positivos, ainda que estes sejam fruto de políticas nacionais e, ironicamente, seguidos de perto por números negativos que ninguém na prefeitura quer estampar em cartaz.

Mesmo com desemprego, Itapetinga gerou 1.723 empregos em 2025; dados dos últimos dois meses são de queda

A estratégia de se apropriar seletivamente dos dados do trabalho pode ser, no mínimo, um tiro no pé. Com a expectativa de que janeiro e fevereiro repitam a tendência de fechamento de vagas, como já aconteceu no ano passado, Eduardo Hagge pode ser obrigado a explicar por que a “mágica” do emprego desaparece justamente quando a taxa de juros nacional aperta o cerco.

Enquanto isso, o estoque de empregos formais na cidade segue em 18.013 trabalhadores, número que reflete muito mais a resistência da economia nacional do que qualquer milagre municipal.

Tentar capitalizar em cima de números generosos do emprego é fácil. Difícil é assumir que, quando a maré baixa, não adianta culpar o vento contrário, ainda mais quando esse vento sopra de Brasília, do Banco Central e do Ministério do Trabalho. Resta saber se o prefeito vai continuar abraçando os dados do Caged como se fossem seus, agora que a onda começou a recuar.

Eduardo, tem enfrentado uma série de desgastes políticos fabricados por ele mesmo após demissões de aliados políticos. Dentro do núcleo do governo municipal, há uma expectativa de virada de mesa, mas, o problema é quando ela virar, já que, emprego, não é lá uma ossada do prefeito de Itapetinga.  

É oportunismo, é vida que segue...