Bota-fora de gabirabas limpa as prateleiras da Prefeitura, mas o 'Tiozão' descobre que fidelidade não se compra em 12 vezes no carnê.
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| Prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB) troca aliados por adversários político para formação de novo grupo político. |
Após promover a maior “Liquidação de Gabirabas” que Itapetinga já viu, em uma gestão dos Hagge, o prefeito Eduardo Hagge (MDB) parece ter calculado mal o inventário. No afã de fazer um "limpa" e demitir em massa os seguidores do próprio pai, Michel Hagge, e do sobrinho, Rodrigo Hagge, o atual gestor agora se vê diante de um balcão vazio. A estratégia era simples: cortar o cordão umbilical com o passado para montar um grupo "para chamar de seu". O problema? A matéria-prima acabou.
No exótico bazar político da Prefeitura do ‘Tiozão’, a tabela de preços é invertida. A prioridade na contratação não é para quem suou a camisa na campanha, mas para os adversários. Isso mesmo: quem ostentou o adesivo da líder opositora Cida Moura (PSD) no peito agora tem lugar na vitrine de cargos comissionados. O anúncio é claro: “Troco voto de oposição por contracheque na Prefeitura”.
Prefeitura de Itapetinga deve retomar contratações políticas, mas sob jura de lealdade ao prefeito
A orquestra dessa "Black Friday" extemporânea é regida pelo vereador Tiquinho Nogueira (PSD), o dirigente partidário Gildásio Queiroz (DC) e pelo secretário de governo Geraldo Trindade (MDB). O trio acreditou que, com um passe de mágica e uma canetada, transformaria opositores ferrenhos em aliados apaixonados. Esqueceram de combinar com os "clientes".
Para a surpresa do núcleo duro do governo, nem todo mundo em Itapetinga está em promoção. A tentativa de pescar no aquário do deputado Antônio Brito (PSD) bateu no muro da fidelidade política. O prefeito descobriu, da pior forma, que o sentimento do eleitor não aceita "vale-refeição" como pagamento.
Ao passar a guilhotina nos aliados dos vereadores e do próprio sobrinho, Eduardo não apenas cortou gastos; ele cortou pontes. Em vez de uma abordagem sutil para conquistar confiança, preferiu o "bota-fora" sumário. Agora, o desespero bate à porta.
O erro estratégico de Eduardo Hagge foi acreditar que a política é um jogo de soma zero onde o cargo compra o coração. Hoje, o prefeito amarga o castigo de ter que implorar por novos aliados, descobrindo que, na política de Itapetinga, nem todo mundo é "cara-de-pau" o suficiente para mudar de lado por uma oferta de ocasião.
O estoque de aliados minguou, o "recall" dos demitidos é alto e o prazo de validade da paciência política está vencendo. Parece que a liquidação do Tiozão vai terminar com as prateleiras vazias e a loja às moscas.

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