Após demitir aliados em massa no Natal, Eduardo Hagge promete recontratar a partir de fevereiro. Único requisito: vassalagem jurada ao prefeito e declaração de guerra ao sobrinho.
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| Sede da Prefeitura Municipal de Itapetinga, no sudoeste da Bahia. |
Parece que a poeira do “bota-fora de gabirabas” natalino em Itapetinga ainda não baixou, mas o prefeito Eduardo Hagge (MDB) já está com o roteiro da reconciliação, ou seria da submissão? em mãos.
Lembram-se daquele decreto de 20 de dezembro, que mandou para casa uma leva de aliados políticos sob o nobre discurso da “preservação dos cofres públicos”? Pois é. Segundo nossos apurou, a faxina não era tão fiscal assim. Era, na verdade, uma triagem para separar os “Hagge de verdade” dos “Hagge talvez”.
Agora, a farsa (ops, o plano) se revela. Fontes garantem que, entre fevereiro e março, a prefeitura vai reabrir as portas para recontratar e contratar em cargos comissionados. Mas atenção, candidatos: o currículo agora tem um item obrigatório mais importante que diploma ou experiência.
É preciso jurar lealdade eterna ao prefeito Eduardo Hagge em ano eleitoral e, pasmem, declarar inimizade pública ao ex-prefeito (e sobrinho) Rodrigo Hagge. Sim, você leu certo. A guerra familiar virou critério de admissão. A declaração de fé (e de ódio) será feita perante o secretário de Governo, Geraldo Trindade (MDB), que assumiu a tarefa de inquisidor-mor, tirando a função da secretária de Administração, esta, suspeita de transformar a pasta num Big Brother municipal, espiando até WhatsApp no PC dos servidores.
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O plano, claro, tem seus poréns estratégicos. Dizem que pensaram em terceirizar os aliados, mas sairia caro e estragaria a narrativa de “austeridade”. E tem um detalhe crucial: o prefeito avisa que traição terá preço. “Se for pego, vota para o olho da rua”. Um clima realmente saudável para o serviço público.
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O problema, caro leitor, é que a matemática política do clã pode ter falhado. Demitir à rodo no Natal não é exatamente um gesto que gera boa vontade. Muitos dos “gabirabas” expulsos já correram para o abraço do sobrinho rival. E mesmo que voltem de cabeça baixa e mão no coração, jurando fidelidade, duvido que tenham o mesmo ânimo para brigar por votos nas redes e na rua pelos candidatos de Eduardo. Afinal, o voto é secreto. E a mágoa, como se vê, é bem pública.
Morral da História: Eduardo Hagge descobriu que lealdade familiar é um negócio volátil. Agora, tenta comprá-la com cargo de confiança, mas impõe um pacto de sangue político que mais parece roteiro de novela. Só esqueceu de um detalhe: fidelidade se conquista. Quando se tenta encomendar, o que vem é pura pantomima. E, no final, a plateia pode vaiar.
É juras de lealdade, é vida que segue...

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