Enquanto eventos religiosos recebem R$ 900 mil, o apoio a competições esportivas e a seleção de futebol amador sofrem com verbas reduzidas.
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| Imagem do Estádio Antonio Carlos Magalhães, o Primaverão. |
O planejamento financeiro da Prefeitura de Itapetinga para o ano de 2026, sob a gestão do prefeito Eduardo Hagge (MDB), está gerando polêmica. Uma análise detalhada dos números do orçamento revela um forte desequilíbrio: a administração municipal decidiu priorizar eventos religiosos em detrimento de investimentos no esporte, uma área fundamental para a inclusão social e saúde dos jovens.
Os números do privilégio
De acordo com o documento orçamentário, a atividade de "Apoio a Eventos Religiosos" terá um aporte total de R$ 892.000,00. A maior parte desse valor R$ 871 mil está destinada ao pagamento de serviços de terceiros (pessoas jurídicas), o que geralmente engloba estruturas de eventos e contratações de shows ou palestrantes.
Orçamento: prefeito Eduardo Hagge abandona o esporte com a menor verba de todos os tempos
Em contraste, a atividade de "Apoio a Eventos Esportivos e Competições" recebeu uma fatia muito menor: apenas R$ 102.000,00. Isso significa que, para cada 1 real investido no esporte comunitário, a prefeitura pretende gastar quase 9 reais com eventos de cunho religioso.
LADI e o descaso com o futebol amador
A situação da Liga Amadorista Desportiva de Itapetinga (LADI) também chama a atenção. Responsável por manter a Seleção de Itapetinga no tradicional Campeonato Intermunicipal da Federação Baiana de Futebol, a entidade terá um convênio de R$ 226.000,00.
Embora o futebol seja a maior paixão da cidade e uma vitrine para o interior baiano, a soma do orçamento da LADI com todo o apoio ao esporte local (R$ 328 mil) ainda não chega nem à metade do que será gasto apenas com eventos religiosos. Para muitos críticos, esse cenário demonstra um "desprezo" pela política pública esportiva, que é comprovadamente uma ferramenta eficaz para manter jovens longe do caminho das drogas e da criminalidade.
Estado Laico e Transparência
A decisão da gestão Eduardo Hagge levanta questionamentos jurídicos e constitucionais. O Brasil é um Estado Laico, o que significa que o poder público deve manter separação das instituições religiosas, garantindo a liberdade de crença, mas sem privilegiar ou financiar dogmas específicos com o dinheiro de todos os contribuintes.
Além disso, o uso de verbas para eventos religiosos é um tema sensível nos Tribunais de Contas e no Ministério Público. Frequentemente, esses gastos ocorrem por meio de "inexigibilidade de licitação", um modelo que, segundo especialistas, reduz a transparência e dificulta a fiscalização de como o dinheiro está sendo realmente aplicado.
Destinação do Recurso Valor Previsto (2026)
Eventos Religiosos R$ 892.000,00
Apoio Esporte e Competições R$ 102.000,00
Convênio LADI (Seleção) R$ 226.000,00
Ao focar o orçamento em eventos de nicho em vez de investir em quadras, campos, escolinhas e competições que atendem a toda a população, a prefeitura parece ignorar o interesse público fundamental. Enquanto o esporte de Itapetinga pede socorro, os cofres públicos seguem abertos para a religião.
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