Na troca de ofensas em plenário da Câmara, Ministério Público de Itapetinga dá novo rumo ao episódio, inocentando Tarugão e culpando Sibele pela calúnia; na maior baixaria do legislativo.
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No maior barraco da Câmara de Itapetinga, Mp de Itapetinga decide que um vereador é inocente e outro é culpado. |
Em uma virada de roteiro que até o mais experiente roteirista de novela das nove teria dificuldades para engendrar, o Ministério Público de Itapetinga apresentou a sua versão de um dos mais ridículos e boçais episódios da política local. O espetáculo, que já havia deixado uma boa parte da população com vergonha alheia, agora nos entrega uma análise jurídica que, ao melhor estilo "Dicró", mistura cinismo e ironia com uma dose cavalar de incoerência. O MP, com a precisão de um relojoeiro da baixa política, desenhou Eliomar Barreira, o Tarugão (MDB), como a "vítima malandra" e Sibele Nery (PT) como a "agressora aloprada". E não estamos falando de uma simples disputa política, mas de uma verdadeira tragédia anunciada em que a lógica e o bom senso foram pulverizados.
A peça de teatro começou com o parlamentar do MDB, Tarugão, se achando o "grande pensador" e soltando uma de suas pérolas no plenário: em uma alusão a “pessoas de baixa meretriz”, ele fez uma referência direta a prostitutas. Ora, a gente sabe que, em tempos de militância e um "politicamente correto" escancarado, qualquer manifestação que envolva o tema sexo já gera uma onda de indignação. Mas, em Itapetinga, parecia que o bom senso tinha tirado férias e o vereador estava decidido a ser a estrela de um show de horrores.
De estuprador a prostituta: o show de baixarias dos Vereadores Tarugão e Sibele Nery na Câmara de Itapetinga (Click Aqui)
No entanto, o que realmente colocou fogo no palco foi a resposta de Sibele Nery, que, num ato de coragem de quinta categoria, resolveu dar nomes aos bois, ou melhor, aos “veredados abusadores”. A vereadora do PT se referiu a um suposto caso de abuso sexual envolvendo Tarugão, insinuando que ele teria mostrado suas “partes baixas” para uma mulher e ejaculado no rosto dela. O que estava claro em seu discurso, porém, era a tentativa deliberada de associar o nome do colega a um fato jurídico que estava enterrado, por nada mais e nada menos, do que mais de dez anos. Para completar, ela fez isso no plenário, ao vivo, para todo mundo ver.
A patética cena não poderia ter sido mais vergonhoso. O presidente da Câmara, Luciano Almeida, parecia estar em uma espécie de coma político, não movendo uma palha sequer para restaurar a decência no local. Ele, que tem a missão de comandar os debates, foi apenas mais um espectador dessa batalha verbal, assistindo a um dos momentos mais sórdidos da história local. Não seria exagero dizer que, naquele momento, ele se tornou um coadjuvante de luxo num espetáculo que lembrava mais uma cena de briga de bar do que uma sessão legislativa.
A coisa foi tão feia que ambos os vereadores, de forma patética, recorreram ao Ministério Público. E eis que surge a intervenção mais surreal de todas: o MP, em sua análise, decidiu que as palavras de Tarugão, embora de um nível de baixaria indefensável, não configuraram crime. Afinal, segundo a Promotoria, o parlamentar não havia citado o nome de Sibele diretamente e, portanto, não poderia ser responsabilizado por suas palavras.
Aqui, o Ministério Público, que se diz defensor da ordem e da ética pública, considerou que, ao utilizar a linguagem abjeta, Tarugão estaria apenas "sendo malandro" e, no fim das contas, uma “vítima” de Sibele, que teria ferido a honra do colega com suas acusações. O contraste não poderia ser mais acentuado: enquanto um era absolvido pela sua "linguagem imprecisa", a outra era considerada a "agressora aloprada", justamente por ter imputado a Tarugão um crime suspeito, mas que na prática não existia.
Sim, o MP de Itapetinga decidiu, sem pestanejar, que Sibele Nery era a grande vilã dessa trama, a caluniadora, a difamadora, a mente maquiavélica disposta a jogar lama em cima de alguém para alcançar seus próprios objetivos. Para tanto, a acusação de calúnia foi formalizada, com a vereadora petista tendo que responder no tribunal pela tentativa de destruir a honra do parlamentar, ao vincular seu nome a um caso de abuso sexual que já estava arquivado.
Bate-boca entre vereadores Tarugão e Sibele na Câmara vai parar na justiça (Click Aqui).
Em um país onde a política tem se tornado cada vez mais um grande circo, esse episódio é apenas mais uma prova de que o nível de debate está em queda livre. Se antes a política já flertava com o populismo e o escárnio, hoje ela mergulha de cabeça no vazio moral e ético. O mais impressionante de tudo, no entanto, não é o comportamento das figuras em si, isso já seria o de menos, mas o fato de que, em pleno 2025, o Ministério Público ainda se presta a adotar um discurso que defende a ideia de que “quem é malandro, é vítima” e “quem é agressor, é aloprado”. Esse é o caldo cultural que se extrai da análise jurídica de um caso vergonhoso: uma imensa falta de clareza e uma postura frouxa frente aos mais elementares princípios de justiça.
A pergunta que fica, portanto, é: será que a sociedade de Itapetinga vai continuar tolerando esse espetáculo patético de figuras que representam o que há de mais baixo na política local? Ou será que, finalmente, os eleitores vão exigir um pouco mais de seriedade e respeito naqueles que se dizem seus representantes? Porque, se essa é a política da “gente como a gente”, o país não tem futuro. E Itapetinga, definitivamente, merece mais.
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