Sozinho e enfraquecido, Eduardo Hagge colhe frutos amargos da guerra familiar e da traição aos que o elegeram.
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| Na imagem: campanhas da líder opositora Cida Moura (PSD) e do atual prefeito Eduardo Hagge (MDB). |
Em política, há uma regra de ouro que o prefeito de Itapetinga, Eduardo Hagge (MDB), parece ter ignorado por completo: não se declara guerra ao seu próprio exército. Menos ainda quando esse exército tem o sobrenome e o comando do seu sobrinho.
A história que se desenha em Itapetinga é um clássico manual do que não fazer. Eduardo Hagge chegou ao poder em 2024, carregado nos ombros do sobrinho, o ex-prefeito Rodrigo Hagge. Foi a máquina pública e a articulação do então prefeito que, no último suspiro da campanha, moldaram a imagem de um “tiozão” carismático que Eduardo nunca foi e garantiram sua vitória sobre a forte candidata Cida Moura (PSD).
A recompensa de Rodrigo? Ser escanteado. Imediatamente após a eleição, o tio prefeito decidiu que não precisava mais do padrinho. Rachou o grupo político da família, os históricos “gabirabas”, e tratou de afastar qualquer influência do sobrinho. Foi um movimento de ingratidão e arrogância que a base política do pai e avô de ambos, o falecido patriarca Michel Hagge, não engoliu.
O resultado não poderia ser outro. Ao esticar a corda ao máximo, Eduardo não apenas jogou Rodrigo para a oposição, mas fez algo ainda mais espetacular: uniu duas forças que, juntas, têm o poder de esmagá-lo.
Aliança Cida Moura/Rodrigo Hagge: tudo acertado, só falta anunciar.
De um lado, Cida Moura, líder opositora de carisma popular sólido, construído em anos à frente da ação social como primeira-dama da cidade. Do outro, Rodrigo Hagge, ex-prefeito por dois mandatos, com profundo conhecimento da máquina e lealdade de grande parte dos “gabirabas” que o tio desprezou. A aliança que será anunciada em breve não é uma simples parceria; é uma força-tarefa criada com um único objetivo: derrotar Eduardo em 2028.
E o prefeito, nesse meio tempo, o que fez? Continuou sua rota suicida. Abandonou os aliados que o elegeram e, em uma manobra que beira o delírio, tenta agora conquistar os apoiadores de Cida Moura, a mesma pessoa que enfrentou nas urnas. Enquanto isso, sua base original se esvai. Pesquisas internas, dizem os bastidores, mostram um desastre: em um pleito hoje, Eduardo ficaria em um vexaminoso terceiro lugar, atrás justamente de Rodrigo e Cida.
A lição é cruel, mas óbvia. Eduardo Hagge subestimou a política, subestimou a lealdade familiar e subestimou a capacidade de reação do sobrinho que colocou no poder. Acreditou que o sobrenome sozinho bastaria, mas esqueceu que sobrenomes são feitos de pessoas, de histórias e de alianças que não se traem impunemente.
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Agora, colhe os frutos amargos de seu próprio erro. Sozinho, sem voto próprio e tentando comprar apoio com cargos, ele se vê diante de uma aliança que nasce forte, popular e com raízes profundas na cidade. O embate que se anuncia para 2028 não será uma disputa justa. Será, como bem diz a manchete, uma covardia. E a covardia, desta vez, foi planejada e assinada pelo próprio prefeito, no dia em que decidiu virar as costas para quem o levou até a cadeira.
É aliança, é nova força, é vida que segue...

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