Convite do governador da Bahia a Cida Moura foi um pedido de socorro

Quem tem menos voto liga para quem tem mais: Jerônimo Rodrigues decide ignorar a "realeza" rachada dos Hagge e joga fichas na oposição para salvar a própria pele.

Convite do governador da Bahia a Cida Moura foi um pedido de socorro?
Governador da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT), e a líder opositora de Itapetinga Cida Moura (PSD).

Ah, a política de Itapetinga e suas novelas de família que fariam inveja a qualquer drama das nove! A última cena desse folhetim é de deixar qualquer analista rindo de canto de boca. O cenário? A quadra esportiva do Clube Social do ITC. O enredo? Um governador precisando de votos e um prefeito que, bem... parece ter esquecido como se mobiliza o povo.

Para quem estava com os olhos bem abertos, o recado político foi dado sem precisar de microfone: o governador Jerônimo Rodrigues (PT) praticamente puxou Cida Moura (PSD) pelo braço para o centro do palco. E por que faria isso na casa do prefeito Eduardo Hagge (MDB)? Simples: pura e cristalina falta de confiança.

 Ao convidar Cida Moura, Jerônimo reduz peso de Eduardo Hagge na briga contra ACM Neto

Vamos aos fatos, porque a matemática da traição familiar não mente. Na disputa interna de ego e poder entre o tio, o prefeito Eduardo Hagge, e o sobrinho, o ex-prefeito Rodrigo Hagge (PSDB), o tio levou a pior. Rodrigo passou o rodo e carregou consigo a maior parte dos "gabirabas", o histórico grupo político fundado pelo falecido patriarca Michel Hagge.

Eduardo, que ficou isolado e assistiu ao seu próprio grupo debandar para o lado do sobrinho, tentou uma manobra desesperada: começou a oferecer emprego na Prefeitura para os adversários de campanha. Sim, aquela turma "cidista", que apoiava Cida Moura e que reza na cartilha do petismo baiano.

O resumo da ópera: Eduardo Hagge hoje governa com os votos emprestados de Cida Moura. Ou seja, o prefeito tem quase nada a oferecer ao governador em termos de base real. Se Jerônimo dependesse da popularidade atual de Eduardo, estaria navegando em águas bem rasas.

Com as pesquisas internas mostrando uma diferença magra de apenas 4% de frente de Jerônimo sob ACM Neto (União Brasil) na cidade, o governador não é bobo e sabe que não dá para brincar com o perigo. Ao ver a falta de poder de mobilização do prefeito Eduardo Hagge que não consegue encher algumas fileiras para a comitiva, Jerônimo não teve dúvidas. Ativou o modo sobrevivência.

A presença de Cida Moura no evento, sob os olhares atentos e aliviados dos petistas, foi o verdadeiro "pedido de socorro" do governador. Jerônimo preferiu o pragmatismo de quem tem voto de verdade ao protocolo de fingir que o prefeito atual lidera alguma coisa.

No xadrez político de Itapetinga, o rei Eduardo pode até estar no trono, mas quem está ditando as regras do jogo e salvando a pele do governador é a rainha da oposição. 

É vida que segue...