Jerônimo arrasta lideranças para Itapetinga para dificultar avanço de ACM Neto no Sudoeste

Entre ouvir o povo e calcular votos: como o PGP virou a principal arma do governador para virar o jogo na região e responder à provocação do principal rival.

Jerônimo arrasta lideranças para Itapetinga para dificultar avanço de ACM Neto no Sudoeste
Evento do governador da Bahia em Itapetinga vira palanque regional para eleição de outubro.

O domingo (14/06) foi de termômetro político nas alturas em Itapetinga. Oficialmente, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT) e sua comitiva, desembarcaram na cidade para comandar o Programa de Governo Participativo (PGP), um espaço que reúne representantes de 13 municípios do Médio Sudoeste baiano para ouvir as demandas dos prefeitos.

Mas vamos deixar a formalidade de lado? Na prática, o que se viu foi um verdadeiro "esquenta" eleitoral de olho na reeleição e nas vagas para o Congresso e Assembleia Legislativa.

Jerônimo não foi passear. Ele arrastou um batalhão de prefeitos, vereadores, deputados e senadores para o coração do Sudoeste. O objetivo real? Erguer uma barreira e impedir que o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), continue cantando de galo na região.

A estratégia de Jerônimo é pura matemática eleitoral. As pesquisas mostram que, no cenário geral do Sudoeste, ACM Neto ainda lidera com uma margem apertada, é verdade, mas lidera. É essa diferença que o atual governador quer pulverizar antes mesmo da campanha oficial começar.

Itapetinga, é o melhor exemplo de que a tática petista está dando resultado. Antigamente conhecida por ser um reduto anti-PT, Itapetinga hoje vive uma forte onda de "lulismo" que empurrou Jerônimo para a liderança numérica nas pesquisas locais, ultrapassando Neto de forma apertada.

Pesquisa: virada de Jerônimo e frente de Lula em Itapetinga derruba mito de cidade anti-PT 

Se em Itapetinga o jogo virou, o grande desafio de Jerônimo atende pelo nome de Vitória da Conquista. Terceiro maior colégio eleitoral do estado, com mais de 258 mil eleitores, Conquista ainda é território amplamente favorável a ACM Neto. Para compensar essa desvantagem, o governador precisa construir uma frente esmagadora de votos nas cidades vizinhas.

Não restam dúvidas de que o PGP foi um sucesso de público, mas o evento teve muito mais cheiro de palanque do que de gestão pública. E, claro, no meio da festa, sobrou espaço para aquela alfinetada de bastidor.

A festa política de Jerônimo serviu também como uma resposta direta a uma declaração polêmica recente de ACM Neto em Vitória da Conquista. Na ocasião, o ex-prefeito de Salvador minimizou a debandada de gestores municipais para a base governista, afirmando que "não precisava de prefeito".

Jerônimo fez exatamente o oposto: jogou luz sobre o seu exército de aliados. Ao lotar o evento com prefeitos da região, o governador mandou um recado claro, sem precisar citar nomes: na Bahia, o apoio das lideranças locais importa, e muito.

O tabuleiro do Sudoeste está montado. Jerônimo acelerou o passo e ganhou tração. Agora, resta saber como a oposição vai reagir a essa demonstração de força em solo itapetinguense.