Se Eduardo Hagge optar pelo REDA esquema de indicações de vereadores na Prefeitura desmorona

Sem o cabide de empregos, a bancada de vereadores do prefeito de Itapetinga na Câmara ameaça aplicar o velho ditado de que saco vazio não para em pé.

Se Eduardo Hagge optar pelo REDA esquema de indicações de vereadores na Prefeitura desmorona
TCM da Bahia pode implodir a relação de apoio de vereadores ao prefeito de Itapetinga Eduardo Hagge (MDB). 

O balcão de negócios da política de Itapetinga entrou em ritmo de liquidação forçada e o clima nos bastidores é de puro pânico.

Nos corredores do poder municipal, a atmosfera não é de debate de projetos, mas de pura sobrevivência. O prefeito Eduardo Hagge (MDB) encontra-se na emblemática corda bamba após o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA) acender o sinal vermelho máximo para um verdadeiro "milagre da multiplicação de vagas": nada menos que 1.829 contratações temporárias realizadas apenas no primeiro trimestre de 2026, sem o incômodo de nenhum concurso ou processo seletivo.

Sob a conveniente e já bastante desgastada justificativa de "contratos emergenciais", a gestão municipal operava um verdadeiro transatlântico de bondades. Fontes internas da própria prefeitura confirmam o segredo mais público da cidade: a bancada de vereadores aliados na Câmara Municipal é a feliz proprietária de mais de 1.000 indicações políticas para cargos no Executivo. Uma generosa contrapartida, claro, pelo apoio incondicional e os votos de olhos fechados no Legislativo.

O problema é que o relógio está correndo. Restam apenas 11 dias do prazo dado pela relatora do processo no TCM, a conselheira Aline Fernanda Almeida Peixoto, para que o prefeito explique, contrato por contrato, quais foram os critérios "mágicos" utilizados para recrutar tanta gente sem um processo seletivo público. Se o TCM apertar o cerco e tudo indica que vai, Eduardo Hagge não terá escapatória: terá que engolir o choro e realizar o REDA (Regime Especial de Direito Administrativo).

O beco sem saída de Eduardo Hagge: ou faz o REDA para 1.800 contratações, ou se lasca 

É aí que o castelo de cartas ameaça desmoronar. O REDA, por meio de uma seleção pública simplificada, traz um elemento que causa urticária na velha política: a impessoalidade. Com critérios técnicos e fiscalização jurídica, o poder de barganha do prefeito no tradicional "toma-lá-dá-cá" cai por terra. Não dá para manipular o resultado em prol do afilhado do vereador de Itapetinga quando qualquer suspeita de fraude pode ir parar direto na mesa do Ministério Público.

Como o pragmatismo político local não é movido a ideologia ou paixão partidária, mas sim a cargos e privilégios, o clima na bancada governista é de puro nervosismo. No popular, saco vazio não fica em pé. Sem as cobiçadas indicações para distribuir aos seus correligionários, os nobres vereadores perderão os motivos para defender o prefeito abertamente na Câmara. Afinal, cessado o interesse, acaba-se o amor.

É vida que segue..